A LEI
DA SEMEADURA E DA COLHEITA – JOSIVALDO OLIVEIRA
O
TEXTO BASE
"Mas
aquele que está sendo instruído na palavra, faça participante de todas as
coisas boas aquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois
aquilo que o homem semear, isso também colherá. Porque o que semeia para a sua
própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do
Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu
tempo colheremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto temos oportunidade,
façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé." (Gálatas
6:6-10)
NÓS
SOMOS UM DEPÓSITO AMBULANTE DE SEMENTES
Este
texto é um dos mais preciosos da Escritura no que diz respeito ao princípio da
semeadura e da colheita em todas as áreas e esferas da vida cristã. Esse
ensinamento não é exclusivo do apóstolo Paulo — é também o ensinamento de Jesus
e já se encontra desde o Antigo Testamento. Em Gênesis 8:22, Deus fez uma
aliança com a terra: enquanto ela durar, sempre haverá semeadura e colheita.
Esse é um princípio eterno, uma lei que Deus estabeleceu no universo.
Nós
somos um depósito ambulante de sementes. Existem muitas sementes dentro de nós.
O amor é uma semente. O respeito é uma semente. A oração é uma semente. A
generosidade é uma semente. Estender as mãos ao necessitado é uma semente.
Acudir ao faminto, vestir o nu, visitar a viúva, o órfão, o preso e o enfermo —
tudo isso é semente. Ajudar uma mãe solteira a cuidar de seu filho também é uma
semente.
Mas
perceba: o desrespeito também é uma semente. A desonra é uma semente. O ódio, o
ressentimento, o descaso com as coisas espirituais — tudo isso são sementes.
Existem sementes boas e sementes ruins, e cada uma delas produz de acordo com a
sua espécie. Não é possível plantar manga e esperar colher abóbora, nem plantar
melancia e esperar colher coco. É impossível — porque cada semente carrega
dentro de si uma instrução invisível que o próprio Deus colocou, a qual a faz
gerar de acordo com a sua espécie.
O
MILAGRE DA VIDA E O PODER DE UMA SEMENTE
Certa
vez, minha esposa me disse algo que ficou gravado em meu coração: "A vida
é um milagre." E de fato é. Pense conosco: uma pequena semente é plantada
no útero de uma mulher, fecunda um óvulo, e a partir daí vai se multiplicando
segundo uma ordem divina. Naquela sementinha — invisível a olho nu, visível
somente ao microscópio — encontra-se todo o código genético capaz de gerar uma
nova vida. Todas as instruções estão ali: o coração, o pulmão, todas as células
epiteliais, todos os tecidos e órgãos do corpo, o cérebro em toda a sua
complexidade — tudo isso é gerado a partir de duas pequenas células que se
fundem e iniciam uma multiplicação sobrenatural. Isso é um milagre. E o bebê
não para de crescer; as células continuam se multiplicando praticamente por
toda a vida — porque células morrem e novas nascem.
Assim
é o poder de uma semente: por trás dela há uma programação que o próprio Deus
determinou. E toda semente traz uma colheita proporcional ao que foi plantado.
É o que Paulo nos ensina em 2 Coríntios 9:6-12: "O que semeia pouco,
colhe pouco; e o que semeia com abundância, colhe com fartura." — e
isso vale em todas as áreas da vida, não apenas na financeira.
COLHEMOS
O QUE SEMEAMOS — EM TODAS AS ÁREAS
Há
pessoas que chegam à igreja e dizem: "Ninguém aqui me abraça. Ninguém me
sorri. Ninguém é simpático comigo." E a pergunta que precisa ser feita é:
você já semeou abraços? Você já semeou simpatia? Não podemos querer colher o
que jamais semeamos. Se quero colher respeito, preciso semear respeito. Se
quero colher generosidade, preciso semear generosidade. Se quero colher amor,
preciso primeiro amar.
E há
algo muito importante a entender nesse princípio: não é necessariamente a mesma
pessoa em quem você semeou que lhe dará a colheita. É Deus quem nos fará
colher. De repente você é simpático com alguém e essa pessoa não retribui — mas
Deus fará você colher de outra forma, por meio de outras pessoas. De repente
você é generoso com alguém que não reconhece sua generosidade — mas Deus
providenciará a colheita em outros lugares e em outros meios. Tudo o que
fizermos acontecer aos outros, Deus fará acontecer a nós.
A
misericórdia também obedece a esse princípio. Jesus disse: "Bem-aventurados
os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." (Mateus 5:7)
Em outras palavras: felizes os que semeiam misericórdia, porque haverão de
colhê-la. O apóstolo Tiago reforça isso ao dizer que "a misericórdia
triunfa sobre o juízo" (Tiago 2:13). Há muita gente que, quando
erra, deseja colher misericórdia — mas que, quando outro erra, quer olho por
olho e dente por dente. Não se pode esperar colher o que jamais se semeou.
SEMEAR
NA VIDA DAQUELES QUE NOS ENSINAM A PALAVRA
O
versículo 6 de Gálatas 6 traz um princípio específico e muitas vezes
negligenciado:
"Mas
aquele que está sendo instruído na palavra, faça participante de todas as
coisas boas aquele que o instrui."
Esse é
o princípio do cuidado que devemos ter com aqueles que nos ensinam a Palavra de
Deus. Paulo já havia ensinado isso à igreja de Corinto com uma pergunta direta:
"Se eu vos semeei coisas espirituais, será muito que de vós colhamos
bens materiais?" (1 Coríntios 9:11) E foi ainda mais longe ao
citar a lei do Antigo Testamento que proibia amordaçar o boi enquanto ele
debulhava o grão (Deuteronômio 25:4), aplicando esse princípio aos
obreiros cristãos: da mesma forma que o boi tinha direito de se alimentar do
grão que debulhava, aqueles que servem e se afadigam na pregação e no ensino
têm direito a ser sustentados e honrados pela igreja a quem servem.
Paulo
também escreveu sobre isso ao falar de "duplicada honra" para
os que se afadigam no ensino e na pregação (1 Timóteo 5:17) — expressão
que carrega o sentido de honorário dobrado. O próprio apóstolo, para não ser um
empecilho ao evangelho em Corinto — cidade onde havia muita resistência a isso
—, recusou-se a receber suporte daquela igreja, sendo sustentado por outras
congregações enquanto ali ministrava.
Esse é
um princípio espiritual que tenho praticado ao longo dos anos com aqueles que
me ministram e me ensinam a Palavra, e que tem trazido muitas bênçãos à minha
vida.
SEMEAR
NA CARNE OU SEMEAR NO ESPÍRITO
No
versículo 7, Paulo nos alerta com firmeza: "Não vos enganeis: de Deus
não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também colherá." É
possível enganar a si mesmo, pensando que se pode colher o que não se semeou —
mas de Deus não se zomba.
O
versículo 8 apresenta então dois caminhos distintos:
O que
semeia para a carne colherá corrupção. Semear para a carne é colocar
a própria vontade em primeiro lugar em detrimento da vontade de Deus; é
priorizar os próprios interesses em detrimento do reino. As obras da carne
estão descritas em Gálatas 5:16-21 — prostituição, impureza, porfias, ciúmes,
iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas
semelhantes. Tudo isso é semear na carne, e a colheita é destruição e
corrupção.
O que
semeia para o Espírito colherá vida eterna. Semear no espírito é
buscar a Deus, orar, debruçar-se nas Sagradas Escrituras e permitir que o
Espírito do Senhor fale ao coração. É ser generoso com alguém sem buscar
reconhecimento público. É visitar o órfão e a viúva e assisti-los em sua
necessidade. É alimentar o faminto, ajudar o pobre, patrocinar a obra
missionária, compartilhar o evangelho com alguém, discipular e consolidar um
novo convertido na fé. São tantas e tantas formas de semear no espírito — todas
legítimas e todas portadoras de uma colheita de vida eterna.
Alguém
pode perguntar: "Mas Josivaldo, a salvação não é pela graça? Efésios 2:8
não diz que 'pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós;
é dom de Deus'?" Sim — e a vida eterna de que Paulo fala aqui é mais
do que a salvação em si. É a vida zoe — a qualidade de vida que o
próprio Deus possui e que Ele compartilha conosco. É a vida abundante de que
Jesus falou em João 10:10: "O ladrão vem para roubar, matar e destruir;
eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância." Essa vida
começa aqui na terra e continua por toda a eternidade. Você já desfruta dela
agora.
NÃO SE
CANSE DE FAZER O BEM
No
versículo 9, Paulo nos alerta para um perigo real:
"E
não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não
desfalecermos."
Existe
o risco de se cansar, porque semear o bem pode ser, em certos momentos, algo
extremamente enfadonho. Você tem semeado tantas vezes, e algumas pessoas são
tão ingratas, tão incapazes de reconhecer o bem recebido, que a tentação é
dizer: "Vou parar de ser tolo. Vou parar de ajudar os outros."
Certa
vez, conversava com um amigo — uma pessoa muito bondosa, que levava
desconhecidos ao hospital sem cobrar sequer o combustível, que transportava
gente para outras cidades para tratamento médico, sempre com o coração aberto.
Chegou um dia em que ele só havia recebido ingratidão, inclusive de algumas das
pessoas que mais havia ajudado. Ele me disse, zangado: "Vou parar de ser
besta. Vou parar com isso."
Eu lhe
disse: "Não faça isso, meu amigo. Não pare. Continue semeando. A sua
colheita não vem dessas pessoas — ela vem de Deus. É Ele que fará você colher.
Pessoas podem ser ingratas, podem não reconhecer o seu esforço, a sua
dedicação, a sua entrega — mas cada semente que você planta, o céu registra. E
no tempo certo, o céu fará você colher."
Isso é
exatamente o que Paulo está dizendo. Há um tempo determinado para todas as
coisas (Eclesiastes 3:1). Há um tempo de plantar e um tempo de colher —
e ninguém colhe imediatamente após semear. Você planta, espera e colhe. O
apóstolo Tiago nos ensina isso com a imagem do lavrador:
"Sede,
pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com
paciência o fruto da terra até receber as primeiras chuvas." (Tiago
5:7)
Dependendo
da semente, a espera pode ser longa. O coentro tem um tempo; a mangueira tem
outro; o eucalipto, outro ainda. E há sementes que você planta hoje, mas quem
as colherá serão seus filhos ou seus netos. Quando você separa tempo para orar,
para se trancar no quarto e buscar a Deus, seus filhos estão de olho. Isso está
construindo no coração deles um caráter de dependência de Deus — e essa é uma
semente que gerará colheita neles no futuro.
Se em
algum momento o cansaço vier, ore assim: "Senhor, renova as minhas forças.
Eu quero continuar sendo generoso. Eu quero continuar sendo uma pessoa que
semeia — porque eu sei que no tempo certo haverei de colher."
ENQUANTO
TEMOS OPORTUNIDADE
O
versículo 10 encerra este ensino com uma exortação urgente:
"Por
isso, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente
aos da família da fé."
O
tempo da oportunidade é agora — enquanto estamos aqui na terra. Como diz o
ditado popular, que bem corrobora o que a Bíblia ensina: façamos o bem sem
olhar a quem. O bem pode se manifestar de muitas formas: uma oração no quarto,
em silêncio, intercedendo pela libertação, pela cura, pela restauração de uma
família ou pela salvação de uma alma. Uma das demonstrações mais preciosas de
amor por alguém é dedicar o seu tempo precioso intercedendo por essa pessoa
diante de Deus, sem que ninguém veja.
O bem
pode ser estender a mão, vestir o nu, alimentar o faminto, perdoar quem precisa
do seu perdão, dar misericórdia a quem precisa de misericórdia. O Espírito
Santo que habita em você testificará se você está fazendo o bem ou não.
E há
uma prioridade estabelecida: "principalmente aos da família da fé"
— os irmãos em Cristo têm precedência. Mas também aos de fora. A todos.
Enquanto temos oportunidade.
Essa
porta de oportunidade se fechará na ocasião da volta de Jesus. Por isso,
enquanto ela estiver aberta, continuemos semeando o bem. Porque o bem é uma
semente — e quem semeia o bem, de Deus não é esquecido. Deus não fica devendo
nada a ninguém.
"Tudo
aquilo que o homem semear, certamente colherá." —
Gálatas 6:7
Que
esse princípio possa abençoar a nossa vida em nome de Jesus de Nazaré. Amém.