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segunda-feira, junho 08, 2026

O SENHOR É O MEU PASTOR - JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

 

 

 

O SENHOR É O MEU PASTOR

 

Uma meditação profunda sobre o Salmo 23:

segurança, descanso, proteção e esperança

 

 

 

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JOSIVALDO OLIVEIRA

 

Pastor da Igreja Ministério Shallom

Jaguaquara – Bahia

 

 

 

 


 

 

 

O SENHOR É O MEU PASTOR

 

Uma meditação profunda sobre o Salmo 23:

segurança, descanso, proteção e esperança

 

 

JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

 

1ª edição

 

Igreja Ministério Shallom

Jaguaquara – Bahia


 

 

 

DEDICATÓRIA

 

A Deus, meu Criador, meu Redentor e meu Sustentador, que em todo tempo tem sido para mim exatamente o que o Salmo 23 declara: o bom pastor que nunca me abandona. A Ele seja toda a glória, honra e louvor para sempre.

 

À minha amada esposa, Judy Oliveira, companheira fiel de vida e ministério, psicóloga, terapeuta familiar e pastora, cuja presença ao meu lado é uma das expressões mais visíveis do cuidado amoroso de Deus. Você é um presente de Deus na minha vida.

 

Aos nossos filhos Caroline, Jonathan e Sara Oliveira, razões de tanto amor, alegria e gratidão. Que o Senhor seja o pastor de vocês em todos os dias da vida de vocês.

 

Aos meus pastores e cobertura espiritual, Apóstolo Joselito Aragão e Pastora Neide Aragão, por todo o cuidado, a sabedoria e o exemplo de vida e ministério. Sou profundamente grato a Deus por tê-los colocado em minha vida.

 

À amada Igreja Ministério Shallom, em Jaguaquara, Bahia, meu rebanho precioso, com quem tenho a honra de caminhar e partilhar a Palavra de Deus. Vocês são a razão desta pregação e deste livreto.


 

 

AGRADECIMENTOS

 

Agradeço, em primeiro lugar, ao Senhor Jesus Cristo, o bom pastor, sem cuja graça nada disso seria possível. É Ele quem inspira cada palavra pregada e escrita.

 

Agradeço à minha esposa Judy, que além de ser companheira de vida e ministério, é uma grande incentivadora da minha caminhada pastoral e literária. Sua presença é força, equilíbrio e alegria.

 

Agradeço à Igreja Ministério Shallom, que me recebe cada domingo com ouvidos atentos e corações abertos para receber a Palavra de Deus. Vocês me motivam a pregar e a escrever.

 

Agradeço a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para que esta mensagem chegasse até você em forma de livreto. Que o Senhor recompense a cada um com a sua bondade e misericórdia.


 

 

POR QUE ESCREVI ESTE LIVRO?

 

Em 2010, durante um momento devocional, enquanto meditava no livro do profeta Jeremias, um texto falou poderosamente ao meu coração. Era Jeremias 30.2:

 

"Escreve num livro todas as palavras que te tenho dito."  — Jeremias 30.2

 

Naquele momento, entendi que aquela palavra era um “rhema” de Deus para mim — uma palavra revelada, específica, não apenas para o profeta Jeremias, mas também para minha vida. Senti com clareza que Deus estava me chamando a preservar em texto escrito tudo aquilo que Ele me revelasse e me confiasse para pregar.

Desde então, tenho procurado transformar em texto escrito tudo o que o Senhor tem falado ao meu coração. Alguns desses textos tornam-se mensagens para o blog da igreja; outros tornam-se livretos como este, ou obras de maior extensão. Em todos os casos, a intenção é a mesma: que a Palavra de Deus seja propagada também por meio escrito, para que outras pessoas tenham acesso, sejam edificadas e abençoadas.

O sermão que você está prestes a ler foi pregado no Culto da Família da Igreja Ministério Shallom, no domingo, dia 7 de junho de 2026. Tenho a certeza de que o Espírito do Senhor vai falar ao teu coração através dele, assim como falou ao coração de cada pessoa que o ouviu naquela manhã.

 

O Salmo 23 é um dos salmos mais conhecidos da Bíblia, mas nem por isso perde a sua importância e profundidade. Há verdades preciosas e inesgotáveis nesse texto. Tenho a certeza de que, por meio desta leitura, você encontrará paz, alento, segurança, proteção e a firme convicção de que você é muito amado por Deus.

 

Deus te abençoe. Boa leitura.

 

— Josivaldo Oliveira


 

 

PREFÁCIO

 

Há textos bíblicos que atravessam gerações sem perder a sua força. O Salmo 23 é um desses textos. Escrito pelo rei Davi — um homem que conhecia o campo, as ovelhas, os perigos da noite e a ternura do cuidado pastoril — este salmo descreve com precisão poética e espiritual o que significa ter o Senhor como pastor da nossa vida.

Não importa em que momento da vida você esteja — num vale de angústia ou num momento de alegria, numa fase de abundância ou numa temporada de escassez —, o Salmo 23 tem algo a dizer ao seu coração. Ele fala de descanso em meio ao cansaço, de segurança em meio ao medo, de provisão em meio à necessidade, de cura em meio à ferida e de esperança em meio à dor.

Este livreto é o resultado de uma meditação pastoral sobre este salmo tão querido. Não é um comentário acadêmico, mas uma meditação pastoral — viva, calorosa, aplicada à realidade de quem crê e de quem ainda não crê, de quem está no aprisco e de quem se desgarrou dele.

Que o mesmo Espírito que inspirou Davi a escrever este salmo inspire também a sua leitura, abrindo os olhos do seu coração para as riquezas inesgotáveis que estão guardadas nestas poucas e preciosas linhas.


 

 

SUMÁRIO

 

Introdução — O Salmo Mais Conhecido do Mundo

Capítulo 1 — O Senhor É o Meu Pastor — A Suficiência do Bom Pastor

Capítulo 2 — Pastos Verdejantes e Águas Tranquilas — O Descanso da Alma

Capítulo 3 — Ainda que Eu Ande pelo Vale — A Intimidade Forjada nos Vales

Capítulo 4 — A Vara e o Cajado — Proteção e Resgate

Capítulo 5 — Uma Mesa Preparada — O Banquete na Presença dos Adversários

Capítulo 6 — Bondade e Misericórdia — Seguidos para Sempre

Capítulo 7 — Habitarei na Casa do Senhor — A Esperança da Eternidade

Conclusão — A Segurança do Crente

Oração Final

Sobre o Autor


 

 

INTRODUÇÃO

O Salmo Mais Conhecido do Mundo

 

Há textos que o tempo não consegue apagar. Há palavras que, por mais vezes que sejam lidas, por mais que as conheçamos de memória, sempre têm algo novo a nos dizer. O Salmo 23 é um desses textos.

Este é o salmo mais conhecido da Bíblia. Crentes e não crentes já o ouviram, já o leram, já o repetiram em momentos de dificuldade e de celebração. Ele está presente em funerais e em momentos de alegria, no leito de dor e no altar de adoração. E mesmo sendo tão conhecido, toda vez que nos debruçamos sobre ele, encontramos verdades preciosas que nos surpreendem, nos edificam e nos fortalecem.

O autor humano deste salmo é o rei Davi, mas o autor divino — como de toda a Escritura — é o Espírito Santo, que o inspirou a escrevê-lo. E Davi tinha propriedade para usar as imagens que usa neste salmo, porque ele foi pastor de ovelhas por muito tempo. Ele sabia o que era cuidar de ovelhas, guiá-las por caminhos tranquilos, protegê-las de predadores vorazes, colocar óleo sobre suas feridas, trazê-las de volta ao aprisco quando se desgarravam. Davi conhecia, na prática, o cuidado amoroso que um verdadeiro pastor dedicava ao seu rebanho.

E usando exatamente essa figura — a do pastoreio —, Davi nos revela uma verdade profunda sobre o caráter e o cuidado de Deus para com as nossas vidas. Mais do que isso: este salmo tem uma aplicabilidade profética na pessoa de Jesus Cristo. Ele é, de fato, o nosso bom pastor, e o próprio Jesus reivindicou para si esse título quando declarou:

"Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas."  — João 10.11

Jesus cumpriu profeticamente o Salmo 23. Ele é o Senhor de quem Davi falou, o pastor que supre, que guia, que protege, que cura, que resgata e que nos promete vida eterna. Por isso, ao meditarmos sobre este salmo, estamos meditando sobre o próprio Jesus e sobre tudo o que Ele representa para nós que o seguimos.

Neste livreto, percorreremos verso a verso o Salmo 23. Não tenho a pretensão de esgotar as riquezas deste texto — isso seria impossível. Meu desejo é simplesmente que, ao terminar esta leitura, você se sinta mais seguro, mais confiante e mais próximo do Senhor Jesus, o nosso bom pastor.

 

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; refrigera a minha alma. Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários; unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre."  — Salmo 23.1–6


 

Capítulo 1

O Senhor É o Meu Pastor

A Suficiência do Bom Pastor

 

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará."  — Salmo 23.1

 

UMA DECLARAÇÃO PESSOAL

A primeira verdade preciosa que encontramos neste salmo está logo no versículo um: Davi não diz "O Senhor é o pastor de Israel" nem "O Senhor é o pastor do seu povo". Ele diz algo muito mais íntimo, muito mais pessoal: "O Senhor é o meu pastor". Há uma apropriação pessoal, uma declaração de fé individual, que transforma essa afirmação em algo muito mais poderoso do que uma simples afirmação teológica coletiva.

Davi estava dizendo: Ele cuida de mim. Eu sou ovelha do seu pastoreio. Eu sou ovelha do seu rebanho. Eu experimento da parte desse pastor bondoso e amoroso o cuidado, a proteção, o livramento, o amor, a graça e o socorro sempre presente na angústia.

E todos aqueles que tiveram um encontro com Jesus e tiveram suas vidas marcadas pela graça do Senhor Jesus Cristo podem dizer o mesmo que disse Davi: o Senhor Jesus é o meu pastor — pessoal, é aquele que realmente cuida de mim, é aquele que deu a sua vida por mim, é aquele que me resgata, me livra do mal, me protege e está comigo todos os dias da minha vida.

A SUFICIÊNCIA DO PASTOR

A segunda verdade preciosa neste primeiro versículo é a afirmação "nada me faltará". Essa não é uma promessa de que quem tem o Senhor como pastor jamais passará por dificuldades, lutas, provações ou adversidades. Não é isso. O que Davi está declarando é que o Senhor é suficiente.

É exatamente essa mesma ideia que encontramos em 2 Coríntios 12, quando Paulo ora três vezes pedindo que Deus o livrasse do espinho na carne — aquele mensageiro de Satanás enviado para esbofeté-lo, a fim de que ele não se orgulhasse pela excelência das revelações que recebera. E a resposta de Deus foi sempre a mesma:

"A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."  — 2 Coríntios 12.9

É essa mesma mensagem que ressoa no versículo 1 do Salmo 23: o Senhor é meu pastor e ele é suficiente. Se eu tenho o Senhor Jesus como meu pastor, tenho tudo. Mas se não tenho Ele, não tenho nada. Ainda que me faltem coisas materiais nesta terra, eu tenho tudo nEle. E se o Senhor não for o meu pastor, ainda que eu tenha tudo aqui nesta terra, me falta tudo o que realmente importa.

O PASTOR SABE O QUE VOCÊ PRECISA

Há uma dimensão importante nessa verdade que não podemos ignorar: nem sempre o que a ovelha deseja é o que é melhor para ela. Muitas vezes a ovelha é atraída para precipícios. É o que ela quer, mas não é o que é bom para ela.

Nós também somos assim. Muitas vezes queremos coisas que serão prejudiciais à nossa vida. Muitas vezes desejamos coisas que podem nos destruir, que nos colocariam em precipícios e nos trariam dores e sofrimentos desnecessários. Por isso, nem sempre o Senhor nos dá o que desejamos, mas Ele sempre nos dará o que precisamos, porque Ele é o bom pastor — e o bom pastor conhece suas ovelhas melhor do que elas se conhecem.


 

Capítulo 2

Pastos Verdejantes e Águas Tranquilas

O Descanso da Alma

 

"Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; refrigera a minha alma. Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome."  — Salmo 23.2–3

 

O ALIMENTO DA ALMA

O pasto é o alimento da ovelha. Usando essa figura do cuidado que ele mesmo tinha com suas ovelhas quando era pastor no campo, Davi diz: "O Senhor me faz repousar em pastos verdejantes." O Senhor me oferece o melhor alimento para a minha alma — o mais poderoso e nutritivo, que é a sua Palavra.

Há uma canção em inglês, traduzida ao português, que diz de forma poética: "O Espírito Santo é o ar que respiro, e a Palavra de Deus é o pão que me alimenta." Que imagem linda e verdadeira! O Espírito Santo é o ar que nos sustenta, e a Palavra é o alimento que nos fortalece.

Porcos alimentam-se de bolotas, de lavagem, de coisas apodrecidas. Mas as ovelhas do Senhor Jesus alimentam-se de pastos verdejantes que simbolizam a Palavra de Deus ministrada ao coração. E quando nos alimentamos da Palavra, encontramos verdadeiro repouso espiritual para a nossa alma.

Às vezes estamos tão angustiados, tão ansiosos, tão agitados com tantas coisas. Mas quando nos debruçamos sobre a Palavra de Deus, quando começamos a meditar nela e a nos alimentar dela, descobrimos que é exatamente ali, nesse lugar de comunhão com a Palavra, que encontramos repouso e descanso para as nossas almas. Jesus mesmo disse:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas."  — Mateus 11.28–29

ÁGUAS TRANQUILAS

O salmista prossegue dizendo que o Senhor nos leva para junto de águas de descanso — ou águas tranquilas. Isso não é apenas poesia. Há aqui uma verdade muito prática sobre a natureza das ovelhas que ilumina o que Davi está nos dizendo.

A ovelha tem muito medo de águas agitadas. E há um motivo muito concreto para isso: como a ovelha tem muita lã, ela sabe — por instinto — que águas agitadas podem fazê-la afogar-se com facilidade. Se ela entrar em corredeiras ou se aproximar demais de águas revoltas, sua lã absorve rapidamente uma grande quantidade de água. Tão grande que a torna pesada demais para nadar. E ela afunda.

Por isso, a ovelha busca águas tranquilas. Ela precisa de águas mansas, onde possa beber com segurança. E o salmista declara que é exatamente para esse lugar que o nosso pastor nos conduz: para águas de descanso, onde somos guiados com segurança, onde podemos ser refrigerados sem sermos destruídos.

GUIADOS PELA VOZ DO PASTOR

Davi encerra este trecho dizendo que o Senhor nos guia pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Isso nos lembra aquilo que o próprio Jesus disse em João 10:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem."  — João 10.27

Quem é ovelha de Jesus ouvirá a voz do seu pastor e o seguirá. A voz de Jesus é o instrumento que Ele usa para nos guiar. Por isso, precisamos manter nossos ouvidos atentos à sua voz, manter o coração sintonizado com o Espírito Santo.

E observe: Ele nos guia "por amor do seu nome". Isso significa que tudo o que Ele faz em nossas vidas é fruto da graça — não porque merecemos, não porque somos especiais em nós mesmos, mas porque Ele é gracioso e fiel ao seu próprio caráter. Glória a Deus.


 

Capítulo 3

Ainda que Eu Ande pelo Vale

A Intimidade Forjada nos Vales

 

"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam."  — Salmo 23.4

 

OS VALES SÃO REAIS

Ninguém que tem o Senhor como seu pastor está isento de atravessar vales. Seria uma mentira pregar o contrário. O próprio Jesus nunca nos prometeu que seríamos poupados dos vales — mas nos prometeu algo melhor: a sua presença ininterrupta dentro deles.

Ele prometeu: "Nunca te deixarei, jamais te abandonarei" (Hebreus 13.5). Prometeu: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28.20). O que Ele nos garantiu não foi a ausência dos vales, mas a sua presença constante em qualquer vale que atravessarmos.

Podemos enfrentar vales nas finanças, na saúde, no casamento, no ministério, nos relacionamentos, no interior da nossa alma. É certo que, em algum momento da nossa caminhada com Ele, atravessaremos vales. E o salmista, diante dessa realidade, declara com firmeza: "Não temerei mal algum, porque tu estás comigo."

DE "SOBRE DEUS" PARA "COM DEUS"

Há algo fascinante e revelador neste versículo 4 que não podemos deixar passar. Até este ponto do salmo, Davi fala sobre Deus na terceira pessoa: "Ele me faz repousar... ele me conduz... ele me guia...". Ele está falando sobre Deus, descrevendo o seu pastor para quem o ouve.

Mas algo muda no versículo 4. Davi não fala mais sobre Deus — ele fala com Deus: "Não temerei mal algum, porque tu estás comigo." Ele usa a segunda pessoa. Não está mais descrevendo o pastor para outros; está se dirigindo ao pastor diretamente.

E isso nos dá uma lição extraordinária: os vales refinam a nossa intimidade com Deus. É nos vales que mais oramos. É nos vales que mais jejuamos. É nos vales que mais nos debruçamos sobre a Palavra. É nos vales que buscamos a Deus com mais intensidade e com mais sinceridade. É nos vales que a nossa relação com Ele deixa de ser uma descrição e se torna uma conversa, um encontro, uma intimidade real.

A LIÇÃO DE JÓ

Jó é um dos maiores exemplos bíblicos de alguém que encontrou a Deus nos vales. Ele era um homem íntegro, fiel, temente a Deus, que se desviava do mal e orava pela sua família constantemente. Ele até fazia sacrifícios pelos seus filhos, porque pensava: "Se porventura meus filhos pecaram..." — tamanha era a sua preocupação espiritual com eles.

Mas Jó passou por uma das maiores tormentas narradas nas Escrituras. Perdeu os filhos em um único dia. Perdeu as riquezas. Perdeu a saúde — ao ponto de se coçar com cacos de cerâmica. E até o seu casamento foi abalado, porque a própria mulher, em um momento de dor profunda — e não devemos julgá-la, porque nunca saberemos o que é a dor de uma mãe que perde dez filhos num único dia —, disse-lhe em desespero: "Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!" E Jó respondeu com serenidade: "Como fala uma mulher louca! Acaso, receberemos o bem de Deus e não receberemos o mal?" (Jó 2.9–10)

Jó clamava, questionava, buscava respostas. E quando Deus finalmente lhe respondeu — a partir do capítulo 38 até o 42 de Jó, respondendo com perguntas às suas perguntas e com revelações às suas indagações —, Jó chegou a uma conclusão extraordinária:

"Eu te conhecia só de ouvir; mas agora os meus olhos te veem."  — Jó 42.5

Antes do vale, Jó conhecia Deus de ouvir falar. Depois do vale, ele o conhecia de experiência própria, de intimidade real, de encontro face a face. E foi no vale que essa transformação aconteceu. Foi na dor, na provação, na angústia, que Jó passou de um conhecimento teórico para uma intimidade genuína com Deus.

Os vales são necessários. Não porque Deus se realiza com o nosso sofrimento — longe disso —, mas porque é nos vales que nos tornamos mais íntimos do nosso pastor Jesus. É nos vales que aprendemos a identificar com mais nitidez a voz do bom pastor. É nos vales que a nossa fé deixa de ser apenas um conjunto de verdades conhecidas e se torna uma vivência real e profunda.

O MOTIVO PARA NÃO TEMER

O salmista deixa claro qual é o fundamento da sua coragem diante dos vales: não é a sua inteligência, não é a sua força, não é a sua riqueza, não é o fato de estar rodeado de pessoas. O motivo é um só: "Tu estás comigo." A presença do Senhor é a razão pela qual não precisamos temer.

Você pode não ter respostas para tudo. Pode não entender o porquê do vale que está atravessando. Pode não conseguir enxergar o fim do túnel. Mas se você sabe — e sabe na fé, sabe pela Palavra, sabe pela experiência da graça — que o Senhor está com você, então você tem tudo o que precisa para não temer.


 

Capítulo 4

A Vara e o Cajado

Proteção e Resgate

 

"O teu bordão e o teu cajado me consolam."  — Salmo 23.4b

 

DOIS INSTRUMENTOS, DOIS PROPÓSITOS

O pastor, no ofício de cuidar das ovelhas, tinha dois instrumentos essenciais: a vara e o cajado. São dois instrumentos distintos, com propósitos distintos, mas ambos a serviço da mesma missão: proteger e preservar o rebanho.

A vara era o instrumento de combate. Ela tinha uma ponta afiada e era usada para afugentar os predadores — o leão, o urso, o lobo, o coiote, qualquer fera que se aproximasse para atacar as ovelhas. O pastor usava a vara para ferir o inimigo, para pô-lo em fuga, para defender o rebanho.

Davi conhecia esse uso da vara por experiência própria. Quando se apresentou ao rei Saul para enfrentar o gigante Golias — e Saul duvidava que aquele jovem pastorzinho pudesse derrotar um guerreiro gigante de quase três metros de altura —, Davi recorreu às vitórias do passado como prova da fidelidade de Deus:

"O teu servo tem apascentado as ovelhas de seu pai; e quando um leão ou um urso vinha, e tomava alguma ovelha do rebanho, eu saía após ele, e o feria, e livrava da sua boca... O Senhor, que me livrou das garras do leão e das garras do urso, esse me livrará da mão desse filisteu."  — 1 Samuel 17.34–37

As vitórias passadas que Deus lhe dera no campo foram a base da sua confiança diante do gigante. E o Deus que estava com ele nos campos de pastoreio seria o mesmo que estaria com ele no campo de batalha. Assim é conosco: o Senhor usa a sua vara — seu poder — para afugentar as hostes das trevas que tentam nos predar.

O CAJADO: PARA TRAZER DE VOLTA

O cajado, por sua vez, tinha uma forma bem diferente da vara. Ele tinha uma ponta curva, como o cabo de um guarda-chuva — uma curva arredondada na extremidade. E o pastor usava o cajado para puxar a ovelha pelo pescoço, trazendo-a de volta ao aprisco quando ela se desgarrava.

A ovelha tem uma tendência natural de se desgarrar. E isso vale tanto para a ovelha-bicho quanto para a ovelha-gente. Nós, como ovelhas do Senhor, também temos muita tendência de nos afastar do aprisco. São tantas coisas que vêm para nos distrair da caminhada, para nos afastar do rebanho, para nos colocar distantes do abrigo do pastor. E uma ovelha desgarrada é presa fácil dos predadores.

A ESTRATÉGIA DO PREDADOR

Isso nos remete a uma realidade que observamos no mundo natural. Uma das estratégias mais eficazes dos grandes predadores — leões, leopardos, lobos — é nunca atacar a manada de frente. Por quê? Porque a manada unida é mais forte do que o predador. Se o leão atacasse de frente um bando de búfalos, os búfalos poderiam matá-lo. Então o predador espera, observa, e identifica o mais fraco, o mais velho, o mais doente — ou aquele que se afastou do rebanho.

É quando o animal está desgarrado, isolado, distante da proteção coletiva, que o predador ataca. E na maioria das vezes, quando a presa percebe, já é tarde demais, porque o predador se aproximou sorrateiramente, usando a camuflagem, a distração, o fator surpresa.

No mundo espiritual funciona da mesma maneira. A Bíblia diz que o nosso adversário anda em derredor como leão que ruge, procurando alguém para devorar (1 Pedro 5.8). Qual é a presa mais fácil? Aquele que está fraco, aquele que não se renova espiritualmente, aquele cuja alma está adoecida — e principalmente aquele que se afasta do aprisco, que se distancia do rebanho do Senhor.

Se vivermos em unidade, se permanecermos no rebanho do Senhor, se não nos afastarmos do aprisco, fica muito mais difícil para o adversário nos atacar e nos vencer. Por isso o escritor aos Hebreus nos exortou: " Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia." (Hebreus 10.25)

O CAJADO É CONSOLAÇÃO, NÃO PUNIÇÃO

É preciso entender claramente: o cajado do Senhor não é para nos ferir. Não é para nos machucar. Não é para nos destruir. O cajado do Senhor serve para trazer a ovelha de volta ao aprisco, de volta ao propósito, de volta à caminhada com Ele.

O cajado pode se manifestar das mais variadas formas: uma provação, uma dificuldade, uma adversidade, algo que acontece em nossa vida e que nos desperta, que acende dentro de nós um alerta espiritual, que aguça nossos olhos para as realidades eternas. O cajado pode ser doloroso. Pode ser incômodo. Mas nunca é para nos destruir — sempre é para nos restaurar.

Por isso Davi diz que o cajado é consolação: "A tua vara e o teu cajado me consolam." Porque saber que o Senhor está disposto a nos trazer de volta — mesmo quando nos desgarramos, mesmo quando nos distraímos, mesmo quando escolhemos caminhos tortuosos — é uma das maiores demonstrações do amor e da fidelidade do nosso pastor.

Jesus falou sobre isso na parábola da ovelha perdida:

"Qual de vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai após a perdida, até a achar? E, achando-a, a põe sobre os seus ombros, cheio de alegria."  — Lucas 15.4–5

O cajado do Senhor é essa iniciativa amorosa de ir atrás da ovelha perdida, de trazê-la de volta ao aprisco. E quando Ele usa o cajado na sua vida, não se desespere. Não fuja ainda mais. Entregue-se ao pastor e deixe-o trazer você de volta ao propósito.


 

Capítulo 5

Uma Mesa Preparada

O Banquete na Presença dos Adversários

 

"Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários."  — Salmo 23.5a

 

A MUDANÇA DE FIGURA

No versículo 5, Davi faz algo muito interessante do ponto de vista literário e teológico: ele muda a figura de linguagem. Até aqui, toda a imagem era do campo de pastoreio — ovelhas, pastos, águas, vale, vara, cajado. Mas agora Davi muda o cenário e passa a descrever Deus como o anfitrião de um grande banquete, como aquele que nos convida para participar da sua festa, das suas bênçãos, do farto banquete da sua graça.

E há um detalhe magnífico nessa imagem: essa mesa não é preparada num lugar protegido, longe dos inimigos. Não. Ela é preparada na presença dos nossos adversários. É um banquete público. É uma demonstração diante de todos — inclusive diante de todos aqueles que tentaram nos prejudicar, que apostaram na nossa queda, que zombaram, criticaram, torceram contra nós.

QUEM SÃO OS NOSSOS ADVERSÁRIOS?

Aqui é importante fazer uma aplicação para o contexto da nova aliança. Quando ministro textos do Antigo Testamento, gosto sempre de trazer a perspectiva da nova aliança, porque é nela que vivemos.

A Bíblia nos diz claramente em Efésios 6.12:

"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas desta era, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais."  — Efésios 6.12

Nós não consideramos nenhuma pessoa como nossa inimiga. Nossos verdadeiros inimigos são espirituais. Sabemos que o adversário Satanás e suas hostes malignas podem usar pessoas como instrumentos de maldade contra nós — mas as pessoas em si não são nossos inimigos. Nós as amamos. Oramos por elas. Desejamos o bem a elas.

Mas o inimigo espiritual — esse sim apostou na nossa queda, na nossa destruição, na nossa derrota. Assim como apostou que Jó não suportaria as provações. E Deus, em sua soberania e graça, não apenas sustentou Jó como ainda o abençoou em dobro ao final de tudo. Porque a mão de Deus sobre a vida de uma pessoa é mais poderosa do que qualquer estratégia do inimigo.

O BANQUETE DA GRAÇA

E é isso que Davi está nos dizendo: Deus prepara para nós uma mesa farta, uma mesa de honra, de graça, de amor, de misericórdia e de favor — e prepara na presença daqueles que tentaram nos destruir. É como se dissesse ao adversário: "Esta pessoa é minha, está sob minha proteção, e vou abençoá-la diante dos seus olhos."

Aquelas situações que tentaram nos destruir, aquelas pessoas que torceram contra, aquelas vozes que diziam "agora ele cai, agora ela não resiste" — elas terão que testemunhar, pela graça de Deus, como o Senhor nos honra, nos sustenta e nos abençoa. Não porque somos superiores, mas porque o nosso pastor é incomparavelmente poderoso e incomparavelmente bom.

A UNÇÃO DO ÓLEO

O salmista continua: "Unges a minha cabeça com óleo." Davi volta aqui à imagem do pastoreio. O pastor usava o óleo — principalmente o azeite de oliva — como antisséptico natural para curar as feridas das ovelhas. Especialmente no focinho, onde as feridas, se não tratadas, tornavam-se focos de infecção, atraindo moscas e proliferando contaminação.

O pastor aplicava o óleo regularmente como proteção e cura. E essa unção é a imagem da obra do Espírito Santo na nossa vida.

Minha esposa é psicóloga, e reconheço profundamente a importância do trabalho de todos os profissionais da saúde mental — psicólogos, psiquiatras, psicanalistas. Eles podem ser, e frequentemente são, instrumentos preciosos nas mãos de Deus para grandes restaurações. Mas existe algo de uma dimensão tão sobrenatural e tão poderosa, que vai além de qualquer método humano: quando o óleo da unção do Espírito Santo desce sobre uma alma ferida.

Por mais feridos e quebrados que estejamos, por mais que a alma esteja esfrangalhada, machucada, humilhada, envergonhada — quando o óleo da unção do Espírito Santo vem sobre nós, somos refeitos. Somos curados. Uma unção nova vem sobre nós, um renovo se manifesta, a cura se estabelece. O Espírito Santo nos unge com o óleo da alegria, e a nossa alma é restaurada de forma sobrenatural.

PESSOAS FERIDAS, PESSOAS QUE FEREM

Há um princípio pastoral importante aqui que precisamos entender: quem mais fere os outros são pessoas feridas. Pessoas machucadas, traumatizadas pela vida, que não permitiram ainda que essa cura do Senhor se manifestasse em suas almas, frequentemente ferem os outros como mecanismo de defesa — para proteger a ferida que ainda está aberta.

Um marido ferido, que não permite que a unção do Espírito Santo cure suas feridas internas, pode ferir a esposa e os filhos. Uma mulher ferida, traumatizada, que não se abre para essa cura, pode machucar o marido e os filhos. Pais feridos podem transmitir às gerações seguintes as dores que carregam.

Mas quando permitimos que a unção venha sobre nós — quando nos abrimos para que o óleo do Espírito Santo desça sobre nossas feridas como o pastor untava suas ovelhas —, somos curados. E mais do que isso: somos curados para curar. Somos restaurados para ser instrumentos de restauração na vida de quem está ao nosso redor.

Permita que essa unção venha sobre você. Abra o seu coração para o Espírito Santo e diga: "Senhor, unge-me com teu óleo. Sou ovelha do teu pastoreio. Cura as minhas feridas para que eu possa ser instrumento de cura na vida da minha família, dos meus amigos, daqueles que estão ao meu redor."

O CÁLICE QUE TRANSBORDA

E Davi termina o versículo 5 com uma declaração de exuberância e gratidão: "O meu cálice transborda." Não é apenas cheio — transborda. É uma imagem de abundância que excede o que o cálice comporta. É a imagem da bênção que ultrapassa os limites do que podemos conter.

Esse é o Deus a que servimos. Não com parcimônia, não com mesquinhez, mas com um coração transbordante de generosidade, de amor e de graça. Quando Ele abençoa, o cálice não apenas fica cheio — ele transborda.


 

Capítulo 6

Bondade e Misericórdia

Seguidos para Sempre

 

"Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida."  — Salmo 23.6a

 

DUAS FACES DO AMOR DE DEUS

Bondade e misericórdia. Duas palavras que resumem a postura de Deus para com as suas ovelhas. Vale a pena entender o que cada uma significa, porque juntas elas formam uma proteção abrangente e completa.

A bondade é dar a alguém o bem que ela não merece. É a generosidade de Deus que nos alcança com graça, que nos abençoa, que nos favorece — não porque merecemos, mas porque Ele é bom. Não porque somos dignos em nós mesmos, mas porque Ele é bondoso e generoso.

A misericórdia, por sua vez, é privar alguém do mal que ela merece receber — do castigo que, por sua própria condição de pecadora, lhe seria devido. É a mão de Deus que nos protege das consequências que merecíamos. É o perdão que vem quando merecíamos punição. É a graça que nos guarda quando merecíamos ser abandonados.

Juntas, bondade e misericórdia cobrem toda a extensão da nossa necessidade. Pela bondade, recebemos o bem que não merecemos. Pela misericórdia, somos poupados do mal que merecíamos. É uma cobertura dupla, perfeita, que só pode vir do coração do nosso bom pastor.

SEGUIDOS — NÃO APENAS ENCONTRADOS

Mas a imagem que Davi usa aqui é ainda mais rica: ele não diz que a bondade e a misericórdia o encontrarão de vez em quando, ou que estarão disponíveis quando ele as buscar. Ele diz que elas o seguirão. São companheiras permanentes da sua jornada.

Onde quer que Davi fosse, bondade e misericórdia iriam atrás. Para onde quer que você vá — para a direita ou para a esquerda, para o norte ou para o sul, para frente ou para trás —, bondade e misericórdia seguirão você. Você não precisa alcançá-las; elas seguem você.

E por quanto tempo? "Todos os dias da minha vida." Não um dia, não dois. Não uma estação, não uma fase. Todos os dias. Todo santo dia. “Every single day”, como se diz em inglês. Sem exceção, sem interrupção, sem condição.

A DECLARAÇÃO DE FÉ

Essa certeza que Davi expressa é fé. É uma declaração de confiança inabalável no caráter do seu pastor. E é isso que precisamos cultivar em nossas próprias vidas — independente dos vales que estejamos atravessando, independente das adversidades, independente dos perigos e das lutas.

Podemos declarar com a mesma convicção de Davi: eu serei seguido todos os dias pela bondade e pela misericórdia do Senhor. Para onde eu for, bondade e misericórdia me seguirão. Nos vales e nas montanhas, nas provações e nas bênçãos, nos momentos de alegria e nos momentos de dor — bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida.

Isso não é arrogância. É fé. É o reconhecimento de quem é o nosso pastor e de quão fiel Ele é para com as suas ovelhas.


 

Capítulo 7

Habitarei na Casa do Senhor

A Esperança da Eternidade

 

"E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre."  — Salmo 23.6b

 

O HORIZONTE DA ETERNIDADE

Com essas palavras, Davi encerra o salmo com a perspectiva mais ampla e mais gloriosa de todas: a eternidade. Não está falando aqui do templo terreno de Jerusalém, mas da morada eterna de Deus, da presença permanente e definitiva do Senhor.

Este é o destino final das ovelhas do bom pastor: habitar na casa do Senhor para todo o sempre. E é nesse ponto que o caráter profético e messiânico do Salmo 23 brilha com mais intensidade, porque o próprio Jesus falou sobre isso de forma explícita:

"Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."  — João 14.1–3

Jesus foi preparar lugar. Moradas celestiais, eternas, imperturbáveis. E Ele virá para nos levar para junto de si. A vida do crente não termina com a morte — ela se expande para a eternidade. Por isso não precisamos temer o que mais aterra o coração humano.

A MORTE DESTRONADA

A morte é o temor mais universal da existência humana. É a sombra que paira sobre cada vida. Mas a Bíblia declara que Jesus a venceu. Paulo exprime isso com um canto de triunfo:

"Então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?"  — 1 Coríntios 15.54–55

O aguilhão da morte é o pecado. Mas Jesus venceu o pecado na cruz do Calvário. É como uma abelha que perdeu o ferrão — ela ainda pode causar desconforto, mas não tem mais o poder de matar. A morte, para aquele que está em Cristo, perdeu o seu poder definitivo. Ela é apenas uma transição, não uma finalidade.

Quando o crente fecha os olhos nesta terra, os seus olhos se abrem na eternidade. É ali que seremos revestidos de glória, onde não haverá mais dor, nem tristeza, nem sofrimento, nem lágrimas, porque Deus mesmo enxugará toda lágrima dos nossos olhos (Apocalipse 21.4).

UMA FAMÍLIA NO CÉU

E quando chegarmos lá — e que demore bastante, amém! —, vamos encontrar muita gente boa que foi antes de nós. A Bíblia fala de uma família no céu e uma família na terra. Há uma grande família de Deus que já está lá, que já habita na casa do Senhor para sempre. De lá ninguém mais pode removê-los, de lá ninguém mais pode tirá-los.

E Paulo, refletindo sobre a impossibilidade de qualquer coisa nos separar dessa eternidade e desse amor, nos deixa um dos textos mais poderosos de toda a Escritura:

"Estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem as do futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor."  — Romanos 8.38–39

Nada. Absolutamente nada. Nem os vales mais profundos, nem os inimigos mais poderosos, nem a própria morte. Uma vez alcançado pela graça, a graça te abraça e te envolve para sempre. Você habitará na casa do Senhor para todo o sempre.


 

 

CONCLUSÃO

A Segurança do Crente

 

Percorremos, verso a verso, o Salmo 23. E o que encontramos neste texto tão conhecido, tão repetido, tão amado, é uma mensagem que nunca envelhece: o Senhor é o nosso pastor, e isso é suficiente.

 

Ele nos dá tudo o que precisamos — não necessariamente tudo o que desejamos, mas tudo o que precisamos. Ele nos conduz a pastos verdejantes, onde a sua Palavra nos alimenta e nos sustenta. Ele nos leva a águas tranquilas, onde somos refrigerados e renovados. Ele nos guia pelas veredas da justiça, não por nosso mérito, mas por amor do seu nome.

Quando atravessamos os vales — e os atravessaremos —, Ele está conosco. É nesses momentos que mais nos aproximamos dEle, que a nossa intimidade com o pastor se aprofunda. É nos vales que passamos de falar sobre Deus para falar com Deus.

Ele usa a vara para nos proteger dos predadores, afugentando as hostes das trevas. E usa o cajado — com amor, nunca com crueldade — para nos trazer de volta ao aprisco quando nos desgarramos. E isso é consolação, não punição.

Ele prepara uma mesa farta para nós, na presença dos nossos adversários. Unge nossas feridas com o óleo do Espírito Santo, curando o que nenhuma outra medicina alcança. Enche o nosso cálice até transbordar.

E nos envolve com bondade e misericórdia todos os dias da nossa vida — para que aonde quer que vamos, para onde quer que a jornada nos leve, essas duas companheiras fiéis estejam sempre conosco.

E ao final de tudo — ao fim desta vida tão passageira, que por mais longa que seja não é nada diante da eternidade —, habitaremos na casa do Senhor para todo o sempre. A morte não tem a última palavra. Cristo tem. E Ele disse que foi preparar lugar para nós.

 

Independentemente do que você esteja enfrentando hoje — seja em que área for, seja qual for o vale que está atravessando neste momento —, a mensagem do Salmo 23 é clara: você não precisa temer, porque o Senhor está com você. O bom pastor está com você.

 

E se você ainda não conhece esse pastor, se você ainda não tem o Senhor Jesus como o seu pastor pessoal, este é o momento mais importante desta leitura: você pode recebê-lo agora. Ele está esperando por você com o cajado do seu amor na mão, pronto para trazer você de volta ao aprisco, para cuidar de você, para ser o seu pastor pessoal para todo o sempre.


 

 

ORAÇÃO FINAL

 

Senhor Jesus, bom pastor, obrigado por cuidar de mim como cuidas das tuas ovelhas. Obrigado por me conduzir a pastos verdejantes, onde sou alimentado pela tua Palavra. Obrigado por me levar a águas tranquilas, onde sou refrigerado pelo teu Espírito. Obrigado por estar comigo nos vales, pela tua presença que dissipa o medo.

Usa a tua vara para afugentar todo inimigo que se aproxima para me predar. E usa o teu cajado para me trazer de volta quando eu me desgarrar. Unge-me com o óleo do teu Espírito e cura cada ferida da minha alma, para que eu seja curado e possa ser instrumento de cura na vida daqueles ao meu redor.

Que a bondade e a misericórdia me sigam todos os dias da minha vida. E que, ao final desta jornada, eu habite na tua casa para todo o sempre. Em nome de Jesus, amém.


 

 

SOBRE O AUTOR

 

Josivaldo Oliveira é pastor da Igreja Ministério Shallom, em Jaguaquara, Bahia, onde serve sob a cobertura espiritual do Apóstolo Joselito Aragão e da Pastora Neide Aragão.

 

Casado há mais de 28 anos com Judy Oliveira — psicóloga clínica, terapeuta familiar e pastora —, é pai de três filhos: Caroline, Jonathan e Sara Oliveira.

 

Desde 2010, quando meditando em Jeremias 30.2 ("Escreve num livro todas as palavras que te tenho dito") sentiu uma palavra específica de Deus ao seu coração, Josivaldo Oliveira tem se dedicado a transformar em texto escrito tudo o que o Senhor tem falado através do seu ministério. Seus sermões são convertidos em livretos, mensagens de blog e obras literárias, com o objetivo de multiplicar a Palavra de Deus além das paredes da congregação local.

 

Este livreto é fruto dessa chamada e dessa obediência.

 

Igreja Ministério Shallom — Jaguaquara, Bahia, Brasil.


Josivaldo Oliveira

Pastor — Igreja Ministério Shallom

Jaguaquara – Bahia

sábado, junho 06, 2026

AS SETE COISAS QUE DEUS ODEIA - JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

 

 

 

 

JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

AS SETE COISAS

QUE DEUS ODEIA

 

Um olhar honesto sobre os pecados que

mais entristece o coração de Deus

 

 

 

 

 

 

 

 

Ministério Shallom


 

 

 

 

 

AS SETE COISAS QUE DEUS ODEIA

 

Um olhar honesto sobre os pecados que mais entristece o coração de Deus

 

 

 

JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

 

 

 

 

© 2009 Josivaldo Oliveira

Ministério Shallom

Todos os direitos reservados.

 

As citações bíblicas, salvo indicação em contrário, são extraídas da versão João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida. Outras versões utilizadas: NVI (Nova Versão Internacional), NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), BV (Bíblia Viva).


 

 

 

 

 

DEDICATÓRIA

 

 

A Deus, meu Pai celestial, de quem recebi a Palavra e a graça de pregá-la. Toda honra e toda glória são suas.

 

À minha amada esposa Judy e aos nossos filhos Caroline, Jonathan e Sara — minha família, minha bênção, minha alegria.

 

Ao Apóstolo Joselito Aragão e à Pastora Neide Aragão, meus pastores e cobertura espiritual, com gratidão eterna pela vida, pelo exemplo e pela palavra que me formou.

 

À Igreja Ministério Shalom, família especial que Deus me confiou pastorear. Vocês são minha maior recompensa nesta terra.


POR QUE ESCREVI ESTE LIVRO?

Em 2010, durante um tempo de meditação e oração, o Senhor falou ao meu coração de uma maneira que jamais esquecerei. Ao meditar no livro de Jeremias, deparei-me com uma ordem divina registrada no capítulo 30, versículo 2:

"Escreve num livro todas as palavras que te tenho falado." (Jr 30:2)

Aquela Palavra saiu da página e entrou no meu coração como uma brasa viva. Entendi que o Senhor não estava apenas ordenando ao profeta Jeremias que registrasse as Suas palavras — Ele estava falando comigo também. Era uma revelação divina, uma convocação pessoal: as palavras pregadas não podem se perder. Elas precisam ser preservadas, multiplicadas, levadas para além do tempo e do espaço de uma reunião.

Desde aquele dia, assumi o compromisso de transformar cada série de sermões em texto escrito. Não por vaidade, não por ambição literária, mas por obediência. Porque a Palavra de Deus merece ser guardada, e porque há pessoas que talvez nunca entrem numa igreja, mas podem encontrar a Cristo ao abrir um livro.

Este livro que você tem em mãos é fruto desse chamado. Ele nasceu do púlpito, foi moldado na presença de Deus e chegou até você porque o Senhor disse: 'Escreve.'

Que a Sua Palavra, agora impressa, continue transformando vidas — assim como tem transformado a minha.

 

— Josivaldo Oliveira


 

PREFÁCIO

Há palavras que ficam. Palavras que, uma vez ditas, não cabem mais dentro das paredes de um templo. Elas precisam sair, caminhar, chegar a lugares onde a voz do pregador ainda não chegou.

Este livro é uma dessas palavras.

Ao longo de um ministério marcado pela fidelidade à Escritura e pela sensibilidade ao Espírito Santo, o Pastor Josivaldo Oliveira tem pregado com coragem e com amor. Sua voz tem sido instrumento de edificação, correção e transformação para muitas vidas. Agora, essa voz encontra um novo canal: a palavra escrita.

"As Sete Coisas que Deus Odeia" é mais do que um livro de exortação. É um convite honesto para a autocrítica espiritual. É um espelho colocado diante do coração, para que cada leitor possa perguntar: "Há algo em mim que entristece o Senhor?" E mais do que isso: "O que faço com o que descubro?"

O texto de Provérbios 6:16-19 raramente ocupa as manchetes dos cultos evangelísticos. Mas a Palavra de Deus não escolhe os seus temas por popularidade — e o Pastor Josivaldo tampouco. Com fidelidade e clareza pastoral, ele nos conduz por cada uma das sete realidades que Deus odeia e abomina, sem condescendência, mas também sem crueldade.

Que estas páginas falem ao seu coração. Que cada capítulo produza em você o fruto do arrependimento genuíno e a sede de viver de uma maneira que agrade ao Pai.

Porque isso, afinal, é o que um servo fiel deseja para cada um dos seus leitores.


 

SUMÁRIO

Por Que Escrevi Este Livro? 

Prefácio 

Apresentação 

 

PARTE UM — AS SETE COISAS

Introdução: O que Deus Odeia 

Capítulo 1 — Olhos Altivos: O Orgulho que Deus Abomina 

Capítulo 2 — Língua Mentirosa: A Mentira que Escraviza 

Capítulo 3 — Mãos que Derramam Sangue Inocente 

Capítulo 4 — O Coração que Maquina Pensamentos Perversos 

Capítulo 5 — Pés que Correm para o Mal 

Capítulo 6 — A Testemunha Falsa 

Capítulo 7 — O que Semeia Contendas entre Irmãos 

 

PARTE DOIS — O CAMINHO DE VOLTA

Conclusão: O Deus que Odeia e o Deus que Ama 

Oração de Compromisso  

Posfácio 

Palavra Final ao Leitor 

Sobre o Autor 


 

APRESENTAÇÃO

Vivemos numa cultura que faz do entretenimento o seu altar e da tolerância a sua teologia. Neste cenário, falar sobre aquilo que Deus odeia parece, no mínimo, inoportuno. Parece antiquado. Parece que vai afastar pessoas, soar duro demais, ferir sensibilidades.

Mas a Bíblia não pede nossa opinião. Ela declara.

Provérbios 6:16-19 registra uma lista de sete atitudes e comportamentos que o Senhor olha com ódio e abominação. Não são palavras suaves. Não são metáforas poéticas. São declarações precisas do coração de Deus sobre o comportamento humano — e todo servo da Palavra que se recusa a pregá-las está, em última análise, sendo infiel ao Deus a quem diz servir.

Este livro nasceu de uma série de pregações ministradas na Igreja Ministério Shalom. Cada capítulo corresponde a uma das sete coisas que Provérbios enumera. A intenção não é condenar, mas iluminar. Não é destruir, mas construir. Não é apontar o dedo, mas abrir a Palavra para que o Espírito Santo faça o Seu trabalho — que é convencer, transformar e restaurar.

Se você é crente de longa data, este livro pode ser um convite ao exame de consciência. Se você está chegando agora à fé, ele pode ser um mapa claro do território espiritual que você está prestes a habitar. Se você simplesmente busca entender como Deus pensa, estas páginas oferecem um retrato honesto do caráter divino — de um Deus que é santo, que odeia o pecado, mas que, acima de tudo, ama o pecador.

Leia com a Bíblia aberta. Leia com o coração disponível. E permita que o Espírito Santo fale — porque Ele sempre tem algo a dizer a quem está disposto a ouvir.

 

— Josivaldo Oliveira


 


PARTE UM

 

AS SETE COISAS

 

 

"Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos." (Provérbios 6:16-19)


 

INTRODUÇÃO: O QUE DEUS ODEIA

Esta palavra é uma ministração tremenda. O Senhor tem uma palavra específica para a sua vida — basta abrir os ouvidos e permitir que o Espírito Santo fale ao seu coração.

Muitos de nós temos um anseio muito grande de agradar a Deus. Há no coração do servo do Senhor um santo temor de não fazer aquilo que desagrada ao Pai. Mas como saber o que Deus odeia? Como descobrir o que entristece profundamente o coração do Espírito Santo?

A resposta está na Bíblia. É nas Escrituras que descobrimos o que agrada e o que aborrece a Deus. E quando escolhemos agradar ao Senhor, a promessa é clara:

"Confia no SENHOR e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração." (Sl 37:3-4)

Em Provérbios 6:16-19, o Senhor nos fala de sete coisas que Ele odeia — sete atitudes que Deus não quer que existam no meio do Seu povo. A palavra utilizada no texto hebraico para "odiar" é forte. Ela não indica uma leve preferência negativa. Indica repulsa, aversão profunda, incompatibilidade absoluta com o caráter de Deus.

Vamos mergulhar nesta porção da Palavra de Deus para descobrir o que tanto aborrece ao Senhor, e como poderemos evitar essas coisas em nossas vidas, a fim de que não experimentemos nenhuma consequência ruim.


 

CAPÍTULO 1

OLHOS ALTIVOS: O ORGULHO QUE DEUS ABOMINA

"Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos..." (Pv 6:16-17a)

O que significa ter olhos altivos? Significa ser orgulhoso e soberbo. E Deus odeia o orgulho porque ele é uma tentativa de agir de modo independente Dele.

O orgulho nos faz crer que somos importantes — não pelo que realmente somos interiormente, mas por aquilo que temos: dinheiro, graus acadêmicos, prestígio social, fama, sucesso. A Bíblia é direta ao respeito:

"...Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." (Tg 4:6)

É por isso que a Palavra declara que Deus odeia o orgulho. Esse sentimento nocivo pode se manifestar de várias maneiras. Examinemos algumas delas.

O ORGULHO ESPIRITUAL OU RELIGIOSO

Jesus narrou uma parábola específica sobre esse tipo de orgulho, dirigida àqueles que confiavam em si mesmos e desprezavam os outros:

"Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado." (Lc 18:9-14)

O fariseu da parábola não estava orando para Deus — estava se elogiando diante de Deus. Sua oração era um inventário das suas próprias virtudes. E o Senhor deixou claro: esse homem saiu do templo sem justificação. O orgulho espiritual é talvez a forma mais perigosa de soberba, precisamente porque se disfarça de devoção.

O ORGULHO INTELECTUAL

"Você conhece alguém que se considera muito sábio e inteligente? O irresponsável tem mais esperança de vencer na vida do que ele." (Pv 26:12 BV)

Há pessoas que fazem do conhecimento um pedestal. Quanto mais sabem, mais se sentem superiores. A sabedoria verdadeira, porém, começa pelo temor do Senhor — não pela exibição das próprias capacidades intelectuais.

O ORGULHO FINANCEIRO

O Senhor Jesus narrou também a parábola do rico insensato para retratar esse tipo de soberba:

"A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; e ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; e direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus." (Lc 12:16-21)

O rico da parábola não é condenado por ter abundância. É condenado por ter feito da abundância a sua segurança e identidade, esquecendo-se de Deus completamente. O orgulho financeiro está na crença de que a prosperidade material é obra exclusiva das nossas mãos — e não bênção da graça divina.

O ORGULHO MANIFESTO NA RECUSA DE GLORIFICAR A DEUS

Há ainda uma forma de orgulho que se manifesta quando alguém recebe elogios e honras por suas realizações e os retém para si, sem atribuir glória a Deus. A Palavra nos adverte:

"O valor de um homem é demonstrado pela espécie de elogios que ele recebe." (Pv 27:21 BV)

Não é errado receber ou dar elogios. O problema surge quando nos concentramos demasiadamente neles e permitimos que a altivez comece a habitar no coração. A Bíblia registra um exemplo trágico dessa atitude:

"Herodes, vestindo seus trajes reais, sentou-se em seu trono e fez um discurso ao povo. Eles começaram a gritar: 'É voz de deus e não de homem'. Visto que Herodes não glorificou a Deus, imediatamente um anjo do Senhor o feriu; e ele morreu comido por vermes." (At 12:21-23 NVI)

Herodes aceitou a glória que pertencia apenas a Deus. E o resultado foi fulminante. Não há como jogar com a glória divina.

A ORIGEM DO ORGULHO: O CORAÇÃO DE SATANÁS

O orgulho é, em sua essência, um sentimento que tem origem no coração de satanás. Toda vez que Deus vê um orgulhoso, Ele se lembra de como o diabo se exaltou por ter sido criado em esplêndida beleza e resplendor, e tentou usurpar o trono divino, sendo consequentemente expulso do céu. O profeta Ezequiel registrou essa queda:

"Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti." (Ez 28:14-17)

O profeta Isaías também viu, em quadro profético, o destino eterno de satanás por causa de seu orgulho:

"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono... Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo." (Is 14:12-15)

E no livro do Apocalipse vemos o desfecho dessa trajetória de soberba:

"E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele." (Ap 12:9)

Como vimos, o orgulho é um sentimento que tem sua origem no coração de satanás e, portanto, não pode habitar no coração de quem verdadeiramente serve a Deus. Essa mesma semente que havia no coração do diabo é o que ele deseja plantar no nosso coração. E esse sentimento se manifesta de forma tão sutil que, se não o percebermos, corremos o risco de nos orgulhar até da nossa suposta humildade — e alguns chegam a dizer: "Eu me orgulho de ser humilde."

O ORGULHO PRECEDE A QUEDA

A Bíblia nos diz que o orgulho precede a queda, e a história nos prova que essa é uma grande verdade. Os registros históricos estão repletos de personagens que se apoiaram em sua prepotência e soberba, e caíram. Nabucodonosor, Faraó, e tantos outros são exemplos trágicos das terríveis consequências de uma vida dominada pelo orgulho.

Por isso, precisamos constantemente nos arrepender do orgulho. Não podemos permitir que esse espírito nos domine a ponto de gerar a nossa queda. A igreja de Laodicéia orgulhou-se de sua condição, e Jesus declarou que estava prestes a vomitá-la de Sua boca:

"Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu... Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te." (Ap 3:15-19)

O SEGREDO PARA VENCER O ORGULHO: O EXEMPLO DE JESUS

O segredo para vencermos o orgulho está em aprender com o exemplo de Jesus — o maior modelo de humildade que o mundo já conheceu. Foi Ele mesmo quem disse:

"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas." (Mt 11:29)

E o apóstolo Paulo nos apresenta esse caminho de humildade com uma beleza incomparável:

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome." (Fl 2:5-9)

Este é o segredo da verdadeira honra. Se quisermos ser honrados e exaltados por Deus, precisamos primeiro aprender a nos humilhar diante Dele e depender totalmente da Sua graça e misericórdia. Como Jesus mesmo declarou: aquele que a si mesmo se humilha será exaltado. Esse é o princípio eterno do Reino.


 

CAPÍTULO 2

LÍNGUA MENTIROSA: A MENTIRA QUE ESCRAVIZA

"...língua mentirosa..." (Pv 6:17b)

A segunda coisa que Deus odeia é a língua mentirosa. E Ele não pode amá-la porque Ele é a verdade. A Bíblia é direta:

"O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade." (Pv 12:22 NVI)

Deus odeia a mentira porque ela tem origem em satanás. A Bíblia revela que o diabo é o pai da mentira:

"...o diabo... foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira." (Jo 8:44)

A MENTIRA QUE ESCRAVIZA

A mentira torna o ser humano escravo do diabo. Quando satanás mentiu para Eva e ela acreditou na mentira dele, tornou-se escravizada pelo pecado e rendeu-se ao poder das trevas. Tudo isso aconteceu porque ela acreditou no que o maligno falou. Isso nos ensina que não podemos confiar naquilo que o nosso inimigo diz.

Há uma canção que eu gosto muito, onde se canta mais ou menos assim: "Se Ele falou, é... se o diabo falou, não é..." Isso quer dizer que aquilo que Deus diz em Sua Palavra é verdade e, portanto, devemos acreditar e confiar. Já aquilo que o diabo diz não é verdade, por isso não devemos dar crédito.

O PERIGO DE OUVIR AS MENTIRAS DE SATANÁS

Conheci um irmão — vou chamá-lo pelo nome fictício de João — que era muito usado por Deus na área de libertação. Muitas vezes vi-o expulsar demônios de pessoas que chegavam a ele completamente possessas de espíritos malignos. Porém, o irmão João começou a atravessar um período de engano espiritual em sua vida, pois passou a acreditar naquilo que os demônios lhe falavam a respeito de suas vítimas.

Certa vez, ele chegou a fazer um acordo com um demônio. O espírito maligno traria "informações do inferno" — João acreditava que essas informações iriam ajudá-lo na libertação de outras pessoas —, e em troca João daria a ele um tempo de trégua. Ele chegou ao cúmulo de evangelizar o demônio, dizendo que, se fosse fiel trazendo as informações corretamente, poderia ser que Deus, na Sua misericórdia, perdoasse o demônio, salvando-o da condenação eterna. Coisa que a Bíblia nos mostra ser impossível.

Graças a Deus, depois que eu e outros irmãos conversamos com o irmão João, ele percebeu o engano em que estava metido e decidiu parar com aquela perigosa prática. Felizmente aquilo durou pouco tempo — sabe-se lá o que teria acontecido com ele e sua família, se houvesse insistido naquele erro por mais tempo.

Aprendemos com isso que não podemos dar ouvidos às mentiras de satanás. Porém, muitas vezes damos mais crédito às mentiras satânicas do que às verdades divinas. O diabo continua mentindo quando diz que somos derrotados, que não podemos vencer, que a nossa família não será salva, que somos doentes, que Deus não se importa mais conosco e já nos abandonou. Tudo isso é mentira do diabo, e não podemos dar crédito ao que ele fala a nosso respeito e a respeito de nossa família.

AS PROMESSAS DE DEUS SOBRE A SUA FAMÍLIA

Deus, sim, é quem tem palavras de verdade para a nossa casa. Sabe o que diz o Senhor a respeito da sua família?

Que a sua família será salva: "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa." (At 16:31)

Que a sua família servirá ao Senhor: "Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR." (Js 24:15)

Que a maldição não alcançará a sua casa: "Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda." (Sl 91:10)

Que os seus filhos serão discípulos do Senhor: "E todos os teus filhos serão discípulos do SENHOR; e a paz de teus filhos será abundante." (Is 54:13)

Que as necessidades de sua família serão supridas: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus." (Fl 4:19)

Eu prefiro crer nessas verdades de Deus do que nas mentiras de satanás.

NEM AS "MENTIRINHAS" SÃO INOCENTES

A Bíblia diz que Deus odeia a língua mentirosa, portanto não podemos ser instrumentos do maligno para propagar a mentira. Não podemos mentir nem mesmo naquelas coisas que julgamos triviais e pequenas. Muitas vezes usamos esta desculpa: "É só uma mentirinha, não tem nada a ver." Porém, a Bíblia diz que são "as raposinhas que fazem mal às vinhas" (Ct 2:15). Uma pequena mentirinha pode fazer um grande estrago. Por isso, não podemos mentir nem por brincadeira:

"Um homem que mente para seu amigo e depois diz: 'Não ligue! Era só brincadeira!', é tão perigoso quanto um louco levando uma arma e dando tiros para todo lado." (Pv 26:18-19 BV)

As pedras de tropeço mais perigosas que existem em nosso caminho não são as pedras grandes, porque estas podemos ver e nos desviamos delas. As que são capazes de nos derrubar são as pequenas, que por serem menores exigem de nós uma atenção maior. Se não estivermos atentos, podemos tropeçar e cair.

Não minta para ninguém. Fale sempre a verdade. A Palavra de Deus nos exorta:

"Por isso, deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros." (Ef 4:25)

Você certamente já ouviu o adágio: "A mentira tem pernas curtas." Isso é uma realidade — mais cedo ou mais tarde todos vão acabar sabendo se você mentiu ou não. Jesus declarou que "tudo o que está escondido será descoberto, e tudo o que está em segredo será conhecido" (Mc 4:22 NTLH). Além disso, a verdade é libertadora:

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (Jo 8:32)

Quanto mais você anda na verdade, mais livre você se torna. Essa é uma das mais belas promessas da Palavra de Deus para quem escolhe a integridade.


 

CAPÍTULO 3

MÃOS QUE DERRAMAM SANGUE INOCENTE

"...mãos que derramam sangue inocente..." (Pv 6:17c)

A terceira coisa que Deus odeia fala de violência, opressão, tirania e abuso de poder. Deus odeia a violência, principalmente aquela praticada contra os inocentes. O Senhor é totalmente contrário a toda forma de opressão. Por isso, não se deve tentar resolver as coisas à força:

"Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos." (Zc 4:6)

A VIOLÊNCIA QUE TEM AUMENTADO

A linguagem da violência é a única que muita gente conhece. Há pessoas que não sabem dialogar com o propósito de solucionar conflitos relacionais e, diante de qualquer desentendimento, partem logo para a agressão na tentativa de mostrar quem tem o controle da situação.

Infelizmente, isso tem ocorrido com muita frequência no ambiente familiar. Os casos de violência doméstica têm crescido de forma assustadora. A cada ano ficamos consternados com os números de estupros, espancamentos, abortos, torturas físicas e psicológicas, assassinatos e outras formas de violência que acontecem no ambiente que deveria ser o lugar de maior segurança para o indivíduo — a sua própria casa.

Tudo isso manifesta o espírito que opera nestes últimos dias. A Bíblia já havia nos advertido:

"Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te." (2 Tm 3:1-5)

A VIOLÊNCIA ATRAI A IRA DE DEUS

Quando há um aumento de violência sobre a terra, uma das maneiras que Deus usa para transformar essa situação é enviando o Seu juízo. Foi por isso que o Senhor enviou o dilúvio sobre a terra no tempo de Noé:

"Deus disse a Noé: Resolvi acabar com todos os seres humanos. Eu os destruirei completamente e destruirei também a terra, pois está cheia de violência." (Gn 6:13 NTLH)

E as Escrituras são consistentes em declarar que a violência e a opressão sempre atraem a ira de Deus:

"O SENHOR prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma." (Sl 11:5)

O ARREPENDIMENTO: O ÚNICO CAMINHO

O arrependimento é a única maneira de livrar-se da ira de Deus. O exemplo da cidade de Nínive é um dos mais poderosos da Escritura:

"Todos devem estar cobertos de pano de saco e gritar de arrependimento diante de Deus e deixar seus maus caminhos, suas violências e seus roubos. Assim, quem sabe Deus permitirá que continuemos a viver e não ficará tão furioso a ponto de querer nos destruir. E quando Deus viu que haviam deixado de lado seus maus costumes, abandonou seu plano de destruir os habitantes de Nínive e não o realizou." (Jn 3:8-10 BV)

Quando você experimenta o arrependimento genuíno e se torna uma nova criatura, uma transformação profunda acontece no seu interior. Você passa a ser uma pessoa completamente diferente daquela que era antes, porque a vida de Deus começa a habitar em você. O espírito de violência que o oprimia é expulso e o Espírito de Deus vem morar dentro de você:

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Co 5:17)

A BATALHA ENTRE AS DUAS NATUREZAS

Porém, mesmo após o novo nascimento, haverá situações que colocarão à prova a sua transformação. Existirão momentos em que a sua vontade humana será de agir como pessoa carnal — sendo agressivo, grosseiro e violento. Nesses momentos, você precisa permitir que sua nova natureza, a natureza de Deus em você, domine completamente a sua vida:

"Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade." (Ef 4:22-24)

Antes do novo nascimento, o ser humano é dominado apenas por sua natureza carnal. Quando, porém, ele aceita a Jesus como Senhor de sua vida e nasce de novo, recebe uma nova natureza — e a partir desse momento ela lutará contra a antiga. Isso significa que no interior do servo de Deus há um conflito de duas naturezas: a carnal e a espiritual.

"Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito o que é contrário à carne. Estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis." (Gl 5:17)

Um modo correto de a nova natureza vencer essa batalha é sendo constantemente alimentada com a Palavra de Deus, com oração, jejum, louvor e adoração, com a comunhão com os irmãos em Cristo — ou seja, com tudo aquilo que edifica a nossa vida espiritual.

UM TESTEMUNHO PESSOAL

Ao longo dos anos, tenho passado por muitos testes, e em todos eles a graça de Deus me tem sustentado. Quem me vê não imagina o quanto eu tinha facilidade para irar-me. As pessoas que me conhecem acreditam que eu sempre fui muito calmo e paciente, mas na verdade a minha paciência se esgotava muito rapidamente. Se alguém fizesse algo que me aborrecesse, no primeiro momento eu procurava ficar calmo — mas se o aborrecimento persistisse, em pouco tempo eu ficava nervoso em extremo e explodia numa crise de fúria e raiva terríveis: quebrava objetos, falava asperamente com as pessoas, enfim, "perdia a cabeça" e agia como um tolo.

"Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira repousa no íntimo dos tolos." (Ec 7:9)

Graças a Deus, fui transformado e, com muita disciplina, venci a minha natureza carnal por meio da ação poderosa do Espírito Santo no meu interior. Isso não significa que não sou tentado a agir como um homem carnal. Mas quando a tentação vem, eu digo para mim mesmo: "Eu sou uma nova criatura. Eu sou um homem controlado pelo Espírito Santo." E assim acabo vencendo a tentação.

"Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar." (1 Co 10:13)

Alimente a sua natureza espiritual. Quando for tentado a agir como uma pessoa não regenerada, você estará fortalecido e não cairá em tentação.


 

CAPÍTULO 4

O CORAÇÃO QUE MAQUINA PENSAMENTOS PERVERSOS

"...o coração que maquina pensamentos perversos..." (Pv 6:18a)

A quarta coisa que Deus odeia são os pensamentos impuros que tornam o pecado um vício na vida da pessoa. Jesus foi absolutamente claro sobre isso:

"O que... procede do coração... contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem." (Mt 15:18-20)

Isso significa que antes de uma pessoa consumar o pecado, este já foi primeiro gerado em seu coração. O pecado é apenas o resultado daquilo que está sendo fecundado interiormente.

"Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." (Tg 1:14-15)

O AVISO DE DEUS A CAIM

Quando Caim estava prestes a cometer o pecado de assassinato contra seu irmão Abel, Deus o avisou dessa possibilidade porque havia sondado o seu coração e percebido que o desejo de matar já estava sendo gerado nele. Por isso o Senhor lhe disse que ele tinha o dever de dominar aquele mau desejo:

"E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar." (Gn 4:6-7)

PECADO PLANEJADO E PECADO ACIDENTAL

O apóstolo João faz distinção entre dois tipos de pecado: o pecado para morte e o pecado que não é para morte. Qual é a diferença básica entre eles?

O pecado para morte é planejado no coração, gerado e incubado por um tempo até se manifestar. Quando ele se manifesta, deixa a pessoa viciada em praticá-lo, sem desejo algum de arrepender-se. Esse tipo de pecado é extremamente perigoso, pois, além de privar a pessoa da comunhão com Deus, pode levá-la à morte física. A Bíblia nos dá exemplos de pessoas que morreram por causa de seus pecados: Nadabe e Abiú (Lv 10:1-7), Corá (Nm 16), Acã (Js 6-7), Ananias e Safira (At 5:1-11), e alguns cristãos da igreja em Corinto que morreram por participar da Ceia do Senhor indignamente (1 Co 11:27-30).

Já o pecado que não é para morte geralmente é acidental — e a pessoa que o comete, assim que tem consciência de que pecou, arrepende-se imediatamente.

GUARDANDO O CORAÇÃO

Por isso a Bíblia nos orienta a guardar o nosso coração:

"Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida." (Pv 4:23)

O coração deve estar protegido para que não seja fábrica de pecado, mas sede de avivamento para a glória de Deus. Você deve guardar a sua alma — que é sede dos seus sentimentos, desejos, emoções e vontades. O que tem prendido a sua alma? Ela pode estar presa a muitas coisas: pessoas, lugares ou sentimentos nocivos que podem machucar e até destruir. Por isso precisamos estar alertas em todo tempo, vigiando, apercebidos, guardando o coração. Somos seres humanos — não somos super-heróis.

O Apóstolo Joselito Aragão nos disse certa vez, numa reunião de pastores, que quando alguém vem a ele dizendo ter ouvido que certa pessoa estava falando mal dele, ele responde ao portador da notícia dizendo que não quer nem ouvir, para não ferir o seu coração. Ele diz: "Sou ser humano. Não quero ouvir coisa alguma que possa ferir ou contaminar o meu coração. Eu devo protegê-lo e não expô-lo a situações que possam feri-lo. Perdoe-me, mas se você já contaminou o seu coração, não queira contaminar o meu também."

Muitas vezes emprestamos nossos ouvidos para tantas coisas que podem contaminar o coração. Essas coisas vão entrando pelos ouvidos — que são uma das janelas da alma — e vão sendo depositadas no interior. Elas vão maculando, ferindo, machucando e destruindo aos poucos aqueles que as ouvem.

O PERIGO DOS BOATOS E DA FOFOCA

Existem pessoas que são peritas em falar mal dos outros, em espalhar boatos e fofocas com a intenção de destruir a moral, a reputação, os relacionamentos, a família e até mesmo a vida daqueles que difamam e caluniaram. Diante dessas pessoas, precisamos guardar o coração, não emprestando os ouvidos ao que falam.

Imagine a situação de um casal casado há muitos anos, em que nenhum dos cônjuges deu ao outro motivo para desconfiança. De repente, um deles recebe um telefonema anônimo informando que o outro foi flagrado com outra pessoa. Infelizmente, muitas pessoas perderiam a cabeça e agiriam de modo irresponsável, brigando violentamente com o cônjuge com quem convivem há anos, sem sequer verificar se aquelas informações são verdadeiras ou falsas. Por quê? Porque em certas situações preferimos acreditar mais em pessoas que não conhecemos do que naquelas com quem convivemos.

"Boatos e fofocas são o prato favorito de muita gente!" (Pv 18:8 BV)

"Não caluniem ninguém, sejam pacíficos, amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens." (Tt 3:2 NVI)

ENCHENDO O CORAÇÃO COM O QUE É BOM

Use seus sentidos, que dão acesso à sua alma, para encher o coração de boas coisas:

"Habite ricamente em vocês a Palavra de Cristo; ensinem-se e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seus corações." (Cl 3:16 NVI)

"Guardei no coração a tua Palavra para não pecar contra ti." (Sl 119:11 NVI)

Proteja seu coração. Encha-o com a Palavra de Deus. Porque um coração cheio de Cristo não tem espaço para os pensamentos perversos que Deus tanto abomina.


 

CAPÍTULO 5

PÉS QUE SE APRESSAM A CORRER PARA O MAL

"...pés que se apressam a correr para o mal..." (Pv 6:18b)

Isso fala de pessoas que são diligentes e rápidas para praticar o mal. Existem pessoas que são velozes para fazer o que é errado. Nós precisamos ser diligentes e rápidos para fazer a vontade de Deus, para cumprir o que a Palavra recomenda, para fazer e falar aquilo que o Senhor quer. Por exemplo: muitas vezes somos rápidos para propagar notícias ruins e lentos para anunciar as boas novas do evangelho.

O PECADO COM ROUPAGEM NOVA

As pessoas sem o conhecimento da Palavra de Deus têm a atitude de se apressar para fazer o mal. E muitas vezes, quando descobrem um pecado com uma roupagem nova, elas correm em direção a ele para praticá-lo. Existem coisas que surgem como modismos malignos — com uma embalagem nova ou apresentadas de uma forma diferente.

Na verdade, o pecado é o mesmo. Os pecados que estão no mundo já estão aqui há muito tempo, desde que satanás maculou os seres humanos com a sua rebeldia. No entanto, como o diabo é astuto, ele pega o pecado que já está há milênios no planeta, veste-o de "roupagem nova" e o fantasia para que se pareça com algo totalmente diferente. E quando algumas pessoas ouvem que há uma forma "nova e diferente" de pecar, elas correm para a prática do mal.

O PECADO COMO ENTRETENIMENTO

Uma das formas mais terríveis de pecado nestes dias é o pecado como forma de entretenimento. Existem pessoas que se divertem com o pecado — tanto o próprio como o alheio — rindo e brincando com o que é errado. Muitos não sabem que isso é extremamente perigoso, pois, se o pecado não for abandonado, poderá destruir as suas próprias vidas. A fábrica do pecado em forma de entretenimento tem prendido muitas pessoas nestes últimos dias, com coisas que entram de forma sutil e sorrateira, e muita gente chega a dizer: "Isso não tem nada a ver."

Quantos jovens se divertem com jogos de violência na internet, onde se ganham pontos por atirar nos adversários, derramar o sangue deles e depois matá-los? Alguns jovens se tornam tão viciados nesses jogos que não conseguem mais discernir que tudo aquilo acontece numa realidade virtual. E quando saem da frente do computador — com suas mentes cheias de imagens de violência e morte que lhes deram tanto prazer e sensação de poder —, estão prontos para agir numa situação real da mesma forma que agiram diante da tela.

Certa vez, quando entrei numa lan house, fiquei preocupado com o futuro de alguns jovens ao perceber que eles falavam com muita alegria e satisfação sobre o fato de terem "matado" adversários no jogo. Eles gritavam: "Matei aquele idiota! Matei aquele imbecil!" A satisfação deles era tão intensa e profunda que parecia tratar-se de algo real.

O ADULTÉRIO COMO ENTRETENIMENTO

Outra coisa que tem sido muito comum — infelizmente, até entre alguns cristãos — é assistir novelas e filmes que exibem cenas de adultério e imoralidade. A mídia cria enredos tão bem elaborados que o telespectador acaba torcendo para que um personagem casado mantenha um caso extraconjugal. Muitas pessoas não teriam coragem de trair o cônjuge, mas quando estão diante de uma televisão se divertem com cenas de adultério sem nenhum constrangimento.

Infelizmente, em nossos dias, existem até cristãos que se divertem assistindo a conteúdo pornográfico e acreditam ser completamente normal essa prática. Mas para um casal genuinamente cristão não há necessidade de usar desses recursos para obter satisfação íntima no casamento. O Criador, que nos fez homem e mulher e abençoou o casamento, é suficiente para suprir cada dimensão do relacionamento conjugal.

É preciso compreender, sem brincadeiras: brincar com o pecado não é nada divertido e traz resultados dolorosos para aqueles que assim procedem:

"Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos do seu coração, para a degradação do seu corpo entre si... Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas... Inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam." (Rm 1:24-32 NVI)

Que possamos ser rápidos para o bem e lentos para o mal. Que os nossos pés se apressem em direção ao Reino de Deus — e não em direção à destruição.


 

CAPÍTULO 6

A TESTEMUNHA FALSA QUE PROFERE MENTIRAS

"...a testemunha falsa que profere mentiras..." (Pv 6:19a)

A sexta coisa que Deus odeia fala da mentira planejada com o objetivo de prejudicar alguém. Diferentemente da língua mentirosa do segundo capítulo — que aborda a mentira em sentido mais amplo —, aqui o texto se refere especificamente ao falso testemunho: a mentira articulada, premeditada, voltada para destruir uma pessoa.

A Bíblia nos mostra que os religiosos da época de Jesus procuravam falsas testemunhas para acusá-lo e condená-lo:

"Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio estavam procurando um depoimento falso contra Jesus, para que pudessem condená-lo à morte." (Mt 26:59 NVI)

Depois que Jesus ressuscitou, os soldados — que foram testemunhas oculares da ressurreição — foram subornados pelos chefes dos sacerdotes para declararem ao povo uma tremenda mentira: que Jesus permanecia morto e que o Seu corpo havia sido roubado pelos discípulos:

"...Deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes: 'Vocês devem declarar o seguinte: os discípulos dele vieram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto estávamos dormindo'. Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos." (Mt 28:12-15 NVI)

QUANDO O FALSO TESTEMUNHO VEM CONTRA VOCÊ

Deus odeia toda forma de mentira, mas principalmente aquela praticada com a intenção de prejudicar outras pessoas. Existem pessoas que armam ciladas, fazem planos, inventam mentiras com a única intenção de destruir os sonhos, a vida e a família de outras pessoas.

Talvez você esteja sendo vítima de projetos iníquos elaborados com a intenção de te destruir. Talvez inventem mentiras a seu respeito para que você tropece e caia, deixando de realizar os sonhos que Deus colocou no seu coração. Mas Deus nos promete em Sua Palavra:

"Ainda que o justo caia sete vezes, tornará a erguer-se, mas os ímpios são arrastados pela calamidade." (Pv 24:16 NVI)

Por isso, fique firme. Não abaixe a cabeça. Se você for justo, pode ter certeza: Deus lhe dará a vitória.

O EXEMPLO DE JOSÉ

Até mesmo José, filho de Jacó, enfrentou a maldade dos seus próprios irmãos. Quando esse jovem declarou os seus sonhos, seus irmãos ficaram furiosos e tentaram destruir tanto os sonhos quanto a sua vida. Lançaram-no numa cisterna e venderam-no como escravo para o Egito. Durante treze anos ele foi humilhado, zombado e maltratado. Porém, depois de provado, foi aprovado — e Deus o abençoou, fazendo dele o governador da maior potência mundial de sua época.

Os nossos sonhos sempre deixam desconfortáveis aqueles que não ousam sonhar. Eles muitas vezes se levantam para tentar nos impedir de concretizá-los, e são capazes de usar todo tipo de argumento com o propósito de nos paralisar: inventam mentiras absurdas, espalham boatos, calúnias e fofocas, levantam falsos testemunhos. Tudo isso com a intenção maligna de impedir que a vitória chegue à nossa vida.

Mas se nos mantivermos fiéis a Deus, mesmo diante das adversidades e da zombaria dos que não acreditam, Deus nos honrará e tornará realidade cada projeto que Ele plantou em nosso coração:

"Farei calar ao que difama o próximo às ocultas. Não vou tolerar os de olhos arrogantes e de coração orgulhoso. Meus olhos aprovam os fiéis da terra, e eles habitarão comigo. Somente quem tem vida íntegra me servirá." (Sl 101:5-6 NVI)

SEJA UMA TESTEMUNHA VERDADEIRA

Deus aborrece a falsa testemunha, mas a Bíblia diz que o Senhor deseja fazer de nós testemunhas verdadeiras. Quando o Espírito Santo vem sobre uma pessoa, ela se torna uma testemunha autêntica de Jesus:

"Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins da terra." (At 1:8 NVI)

Seja cheio do Espírito Santo. Seja uma testemunha verdadeira de Jesus. Porque é isso que Deus deseja: homens e mulheres que falem a verdade, que sirvam de testemunho autêntico do amor e da graça de Cristo para um mundo que tanto necessita ouvi-la.


 

CAPÍTULO 7

O QUE SEMEIA CONTENDAS ENTRE IRMÃOS

"...e o que semeia contendas entre irmãos." (Pv 6:19b)

Chegamos à sétima coisa que Deus não apenas odeia, mas abomina. O texto é preciso:

"Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina." (Pv 6:16)

A palavra "abominar" é uma expressão mais forte do que "aborrecer". Ela dá a ideia de algo que causa repugnância, nojo, ânsias de vômito. O próprio Jesus disse à igreja em Laodicéia: "Por que você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca." (Ap 3:16 NVI). Isso significa que existem coisas que praticamos que causam repugnância em Deus. E semear contendas entre irmãos está no topo da lista.

O VALOR DA UNIDADE

A Bíblia nos fala em Salmos 133: "Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!" Em João 17, vemos Jesus orando pela unidade dos Seus discípulos. Mas Jesus não apenas orou pela unidade — Ele foi capaz de morrer para tornar os Seus discípulos unidos:

"...O sumo sacerdote... profetizou que Jesus morreria... pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los num povo." (Jo 11:51-52 NVI)

Não podemos permitir que sementes de contenda sejam lançadas em nossas vidas. Semear contendas é criar situações para romper laços de amizade sincera entre irmãos e amigos. Há pessoas que são muito amigas, que têm uma aliança entre si. De repente, chega uma terceira pessoa e começa a semear contendas naquela amizade. Se a aliança não for guardada e protegida, corre-se o grande risco de ser desfeita. Nunca esqueça: todo relacionamento é desfeito por uma terceira voz!

O CASAMENTO EM RISCO

Isso pode acontecer nas mais diferentes áreas da vida — até mesmo no casamento. Quantos casais que convivem bem, se amam, são carinhosos um com o outro, andam de mãos dadas... De repente, uma terceira voz entra no relacionamento, a semente de contenda é lançada, e aquele casamento tão abençoado vê-se envolvido num processo de divórcio.

Se você estiver passando por uma crise conjugal, é preciso sabedoria até para saber com quem compartilhar esse problema. Existem pessoas que estão passando por dificuldades no casamento e vão abrir o coração para quem não pode ajudar. Elas abrem o coração e expõem o cônjuge para pessoas diante das quais ele não deve ser exposto. Nunca exponha o seu cônjuge.

AS SEMENTES MALIGNAS

Infelizmente existem pessoas que têm em suas vidas os mais variados tipos de sementes malignas para lançar na vida dos outros: sementes de discórdia, de desconfiança, de ódio, de rancor, de ressentimento, de rebeldia. O diabo plantou uma semente de desconfiança no coração de Eva, e conseguiu quebrar a comunhão que ela tinha com Deus.

O diabo continua tentando essa mesma estratégia até hoje. Ele deseja semear sementes de desconfiança em todo bom relacionamento, com a intenção de quebrá-los. Por isso precisamos estar atentos para que não sejamos privados da bênção da comunhão com as pessoas a quem amamos. Quando percebemos que uma pessoa é contenciosa, devemos nos afastar dela imediatamente e não podemos permitir que ela tenha acesso aos nossos relacionamentos:

"Quando se manda embora o zombador, a briga acaba; cessam as contendas e os insultos." (Pv 22:10 NVI)

O JULGAMENTO DOS SEMEADORES DE CONTENDA

Existem pessoas que fazem de tudo — até mesmo obras de feitiçaria — para separar os melhores amigos, destruir casamentos e promover a desunião nas famílias. Essas pessoas estão possuídas por um espírito de inveja e não suportam ver ninguém desfrutando de um relacionamento saudável sem manifestar o desejo de destruí-lo:

"O homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos." (Pv 16:28)

Mas a Bíblia garante que os semeadores de contendas serão julgados por Deus:

"A língua perversa será extirpada." (Pv 10:31)

"Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante." (Pv 12:19 NVI)

FOMOS CHAMADOS PARA SEMEAR PAZ

Nós não fomos chamados por Deus para semear contendas ou confusão, mas para semear paz nos relacionamentos:

"Esforcem-se para viver em paz com todos..." (Hb 12:14a NVI)

"Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua." (Rm 14:19 NVI)

Deus é um Deus santo. Ele odeia toda prática do mal. Por isso, devemos abandonar o pecado e buscar a cada dia sermos mais e mais parecidos com Jesus.


 


PARTE DOIS

 

O CAMINHO DE VOLTA


 

CONCLUSÃO: O DEUS QUE ODEIA E O DEUS QUE AMA

Percorremos juntos as sete coisas que Deus odeia. Vimos o orgulho que eleva o coração acima do Senhor. A mentira que escraviza e tem origem no pai das trevas. A violência que derrama sangue inocente. Os pensamentos perversos que contaminam o coração. A pressa para fazer o mal. O falso testemunho planejado para destruir. E a semeadura de contendas entre irmãos.

Sete realidades. Sete espelhos colocados diante da nossa consciência.

Mas esta reflexão não termina com condenação. Termina com um convite.

Porque o mesmo Deus que odeia essas coisas é o Deus que ama profundamente o ser humano que nelas caiu. O mesmo Deus que declara Sua santidade em Provérbios 6 é o mesmo que declarou Seu amor em João 3:16. Ele não odeia os pecadores — Ele odeia o pecado que os destrói.

E por isso enviou o Seu Filho.

Jesus veio ao mundo exatamente porque o coração humano é capaz de orgulho, mentira, violência, impureza, precipitação para o mal, falso testemunho e divisão. Ele veio não para condenar, mas para resgatar. Não para destruir, mas para transformar. Não para apontar o dedo, mas para estender a mão.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3:16)

A grande questão que este livro deixa para você não é apenas: "Cometi alguma dessas coisas?" A grande questão é: "O que faço agora?"

A resposta da Palavra de Deus é clara: arrependimento genuíno, conversão sincera, compromisso de andar em novidade de vida. Não é um processo de autoaperfeiçoamento — é uma obra do Espírito Santo no interior de quem se rende a Jesus. Não é religião — é relacionamento.

Deus é um Deus santo que odeia o pecado. E é exatamente por isso que Ele é um Deus amoroso que oferece perdão. Porque sem santidade não há amor que valha, e sem amor a santidade se torna crueldade. No Deus da Bíblia, as duas realidades coexistem em perfeita harmonia.

Que este livro tenha cumprido o seu propósito: revelar o coração de Deus, despertar a consciência, provocar o arrependimento e conduzir cada leitor a uma vida que agrade ao Pai.

Porque é para isso que servimos. É para isso que pregamos. É para isso que escrevemos.


 

ORAÇÃO DE COMPROMISSO

Se você foi tocado pelo Espírito Santo ao ler este livro e gostaria de fazer uma aliança com Deus através de Seu Filho Jesus Cristo, então faça esta oração com fé:

 

"Senhor Jesus, eu Te recebo como meu único e suficiente Salvador e Senhor. Nesta hora, desfaço em Teu nome toda e qualquer aliança que, em meu passado, eu fiz com o pecado, com o mundo ou com o maligno. Senhor, perdoa os meus pecados e escreve o meu nome no Livro da Vida. Que eu e toda a minha família experimentemos as bênçãos da Tua salvação. Amém."

 

Se você fez esta oração com fé, creia: a partir de agora você é uma nova criatura. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Co 5:17). "Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus." (Jo 3:3)

Entre em contato com a Igreja Ministério Shalom e nos comunique sobre a sua decisão. Queremos celebrar com você.


 

POSFÁCIO

Este livro não nasceu de um gabinete acadêmico. Nasceu do púlpito. Nasceu de uma comunidade de fé que se reunia semana após semana para ouvir a Palavra de Deus ser pregada com fidelidade e com amor.

É sempre emocionante ver como Deus usa um texto com mais de três mil anos de existência — Provérbios 6:16-19 — para falar tão diretamente ao coração de homens e mulheres que vivem em pleno século XXI. A Bíblia não envelhece. Ela não perde a sua atualidade. Ela continua sendo o bisturi mais preciso que existe para operar o coração humano.

O Pastor Josivaldo Oliveira levou essa Palavra a sério. Pregou-a com integridade. Permitiu que ela o examinasse também — como ele mesmo testemunha ao longo deste livro. E agora a colocou nas mãos do leitor com a mesma fidelidade.

Que este posfácio seja um convite: volte às páginas que mais falaram ao seu coração. Releia. Ore. Permita que o Espírito Santo aprofunde o que começou. E leve este livro a alguém que precisa ouvir o que Deus tem a dizer.

Porque a Palavra não foi pregada para ficar guardada — foi pregada para se multiplicar.


 

PALAVRA FINAL AO LEITOR

Querido leitor,

Obrigado por chegar até aqui. Obrigado por ter aberto este livro e por ter permitido que a Palavra de Deus entrasse no seu coração.

Se estas páginas trouxeram convicção, deixe que ela produza o fruto que deve produzir: arrependimento e mudança. Se trouxeram encorajamento, use-o para seguir em frente na caminhada da fé. Se trouxeram perguntas, leve-as ao Senhor em oração — Ele é o melhor respondedor de perguntas que existe.

A santidade não é um destino que se alcança de uma vez por todas. É um caminho que se percorre a cada dia, passo a passo, dependendo da graça de Deus. E nesse caminho, você não está sozinho. O Espírito Santo habita em você para guiá-lo, fortalecê-lo e sustentar você em cada momento de fraqueza.

Continue lendo a Bíblia. Continue orando. Continue se reunindo com o povo de Deus. E continue se afastando das sete coisas que Deus odeia — não por medo do julgamento, mas por amor ao Pai que tanto nos amou.

Que Deus te abençoe, te guarde e te conduza em toda a Sua plenitude.

 

Com amor pastoral,

Josivaldo Oliveira

Ministério Shalom


 

SOBRE O AUTOR

Josivaldo Oliveira é pastor da Igreja Ministério Shallom, onde serve com dedicação há anos. Sob a cobertura espiritual do Apóstolo Joselito Aragão e da Pastora Neide Aragão, seu ministério é marcado pela fidelidade à Escritura, pela pregação expositiva e pelo amor genuíno às pessoas que o Senhor lhe confiou.

Em 2010, durante um tempo de meditação sobre Jeremias 30:2, recebeu do Senhor a convicção de transformar suas pregações em texto escrito — preservando a Palavra para além dos muros da Igreja e alcançando vidas que talvez nunca pisassem num culto. Desde então, dedica-se a esse duplo ministério: o do púlpito e o da pena.

Casado com Judy Oliveira, psicóloga clínica, terapeuta familiar e pastora, juntos são pais de três filhos: Caroline, Jonathan e Sara. A família é, para ele, o maior testemunho vivo da graça e da fidelidade de Deus.

"As Sete Coisas que Deus Odeia" é mais um fruto desse chamado: pregar, escrever, alcançar.