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segunda-feira, junho 08, 2026

O SENHOR É O MEU PASTOR - JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

 

 

 

O SENHOR É O MEU PASTOR

 

Uma meditação profunda sobre o Salmo 23:

segurança, descanso, proteção e esperança

 

 

 

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JOSIVALDO OLIVEIRA

 

Pastor da Igreja Ministério Shallom

Jaguaquara – Bahia

 

 

 

 


 

 

 

O SENHOR É O MEU PASTOR

 

Uma meditação profunda sobre o Salmo 23:

segurança, descanso, proteção e esperança

 

 

JOSIVALDO OLIVEIRA

 

 

 

1ª edição

 

Igreja Ministério Shallom

Jaguaquara – Bahia


 

 

 

DEDICATÓRIA

 

A Deus, meu Criador, meu Redentor e meu Sustentador, que em todo tempo tem sido para mim exatamente o que o Salmo 23 declara: o bom pastor que nunca me abandona. A Ele seja toda a glória, honra e louvor para sempre.

 

À minha amada esposa, Judy Oliveira, companheira fiel de vida e ministério, psicóloga, terapeuta familiar e pastora, cuja presença ao meu lado é uma das expressões mais visíveis do cuidado amoroso de Deus. Você é um presente de Deus na minha vida.

 

Aos nossos filhos Caroline, Jonathan e Sara Oliveira, razões de tanto amor, alegria e gratidão. Que o Senhor seja o pastor de vocês em todos os dias da vida de vocês.

 

Aos meus pastores e cobertura espiritual, Apóstolo Joselito Aragão e Pastora Neide Aragão, por todo o cuidado, a sabedoria e o exemplo de vida e ministério. Sou profundamente grato a Deus por tê-los colocado em minha vida.

 

À amada Igreja Ministério Shallom, em Jaguaquara, Bahia, meu rebanho precioso, com quem tenho a honra de caminhar e partilhar a Palavra de Deus. Vocês são a razão desta pregação e deste livreto.


 

 

AGRADECIMENTOS

 

Agradeço, em primeiro lugar, ao Senhor Jesus Cristo, o bom pastor, sem cuja graça nada disso seria possível. É Ele quem inspira cada palavra pregada e escrita.

 

Agradeço à minha esposa Judy, que além de ser companheira de vida e ministério, é uma grande incentivadora da minha caminhada pastoral e literária. Sua presença é força, equilíbrio e alegria.

 

Agradeço à Igreja Ministério Shallom, que me recebe cada domingo com ouvidos atentos e corações abertos para receber a Palavra de Deus. Vocês me motivam a pregar e a escrever.

 

Agradeço a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para que esta mensagem chegasse até você em forma de livreto. Que o Senhor recompense a cada um com a sua bondade e misericórdia.


 

 

POR QUE ESCREVI ESTE LIVRO?

 

Em 2010, durante um momento devocional, enquanto meditava no livro do profeta Jeremias, um texto falou poderosamente ao meu coração. Era Jeremias 30.2:

 

"Escreve num livro todas as palavras que te tenho dito."  — Jeremias 30.2

 

Naquele momento, entendi que aquela palavra era um “rhema” de Deus para mim — uma palavra revelada, específica, não apenas para o profeta Jeremias, mas também para minha vida. Senti com clareza que Deus estava me chamando a preservar em texto escrito tudo aquilo que Ele me revelasse e me confiasse para pregar.

Desde então, tenho procurado transformar em texto escrito tudo o que o Senhor tem falado ao meu coração. Alguns desses textos tornam-se mensagens para o blog da igreja; outros tornam-se livretos como este, ou obras de maior extensão. Em todos os casos, a intenção é a mesma: que a Palavra de Deus seja propagada também por meio escrito, para que outras pessoas tenham acesso, sejam edificadas e abençoadas.

O sermão que você está prestes a ler foi pregado no Culto da Família da Igreja Ministério Shallom, no domingo, dia 7 de junho de 2026. Tenho a certeza de que o Espírito do Senhor vai falar ao teu coração através dele, assim como falou ao coração de cada pessoa que o ouviu naquela manhã.

 

O Salmo 23 é um dos salmos mais conhecidos da Bíblia, mas nem por isso perde a sua importância e profundidade. Há verdades preciosas e inesgotáveis nesse texto. Tenho a certeza de que, por meio desta leitura, você encontrará paz, alento, segurança, proteção e a firme convicção de que você é muito amado por Deus.

 

Deus te abençoe. Boa leitura.

 

— Josivaldo Oliveira


 

 

PREFÁCIO

 

Há textos bíblicos que atravessam gerações sem perder a sua força. O Salmo 23 é um desses textos. Escrito pelo rei Davi — um homem que conhecia o campo, as ovelhas, os perigos da noite e a ternura do cuidado pastoril — este salmo descreve com precisão poética e espiritual o que significa ter o Senhor como pastor da nossa vida.

Não importa em que momento da vida você esteja — num vale de angústia ou num momento de alegria, numa fase de abundância ou numa temporada de escassez —, o Salmo 23 tem algo a dizer ao seu coração. Ele fala de descanso em meio ao cansaço, de segurança em meio ao medo, de provisão em meio à necessidade, de cura em meio à ferida e de esperança em meio à dor.

Este livreto é o resultado de uma meditação pastoral sobre este salmo tão querido. Não é um comentário acadêmico, mas uma meditação pastoral — viva, calorosa, aplicada à realidade de quem crê e de quem ainda não crê, de quem está no aprisco e de quem se desgarrou dele.

Que o mesmo Espírito que inspirou Davi a escrever este salmo inspire também a sua leitura, abrindo os olhos do seu coração para as riquezas inesgotáveis que estão guardadas nestas poucas e preciosas linhas.


 

 

SUMÁRIO

 

Introdução — O Salmo Mais Conhecido do Mundo

Capítulo 1 — O Senhor É o Meu Pastor — A Suficiência do Bom Pastor

Capítulo 2 — Pastos Verdejantes e Águas Tranquilas — O Descanso da Alma

Capítulo 3 — Ainda que Eu Ande pelo Vale — A Intimidade Forjada nos Vales

Capítulo 4 — A Vara e o Cajado — Proteção e Resgate

Capítulo 5 — Uma Mesa Preparada — O Banquete na Presença dos Adversários

Capítulo 6 — Bondade e Misericórdia — Seguidos para Sempre

Capítulo 7 — Habitarei na Casa do Senhor — A Esperança da Eternidade

Conclusão — A Segurança do Crente

Oração Final

Sobre o Autor


 

 

INTRODUÇÃO

O Salmo Mais Conhecido do Mundo

 

Há textos que o tempo não consegue apagar. Há palavras que, por mais vezes que sejam lidas, por mais que as conheçamos de memória, sempre têm algo novo a nos dizer. O Salmo 23 é um desses textos.

Este é o salmo mais conhecido da Bíblia. Crentes e não crentes já o ouviram, já o leram, já o repetiram em momentos de dificuldade e de celebração. Ele está presente em funerais e em momentos de alegria, no leito de dor e no altar de adoração. E mesmo sendo tão conhecido, toda vez que nos debruçamos sobre ele, encontramos verdades preciosas que nos surpreendem, nos edificam e nos fortalecem.

O autor humano deste salmo é o rei Davi, mas o autor divino — como de toda a Escritura — é o Espírito Santo, que o inspirou a escrevê-lo. E Davi tinha propriedade para usar as imagens que usa neste salmo, porque ele foi pastor de ovelhas por muito tempo. Ele sabia o que era cuidar de ovelhas, guiá-las por caminhos tranquilos, protegê-las de predadores vorazes, colocar óleo sobre suas feridas, trazê-las de volta ao aprisco quando se desgarravam. Davi conhecia, na prática, o cuidado amoroso que um verdadeiro pastor dedicava ao seu rebanho.

E usando exatamente essa figura — a do pastoreio —, Davi nos revela uma verdade profunda sobre o caráter e o cuidado de Deus para com as nossas vidas. Mais do que isso: este salmo tem uma aplicabilidade profética na pessoa de Jesus Cristo. Ele é, de fato, o nosso bom pastor, e o próprio Jesus reivindicou para si esse título quando declarou:

"Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas."  — João 10.11

Jesus cumpriu profeticamente o Salmo 23. Ele é o Senhor de quem Davi falou, o pastor que supre, que guia, que protege, que cura, que resgata e que nos promete vida eterna. Por isso, ao meditarmos sobre este salmo, estamos meditando sobre o próprio Jesus e sobre tudo o que Ele representa para nós que o seguimos.

Neste livreto, percorreremos verso a verso o Salmo 23. Não tenho a pretensão de esgotar as riquezas deste texto — isso seria impossível. Meu desejo é simplesmente que, ao terminar esta leitura, você se sinta mais seguro, mais confiante e mais próximo do Senhor Jesus, o nosso bom pastor.

 

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; refrigera a minha alma. Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários; unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre."  — Salmo 23.1–6


 

Capítulo 1

O Senhor É o Meu Pastor

A Suficiência do Bom Pastor

 

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará."  — Salmo 23.1

 

UMA DECLARAÇÃO PESSOAL

A primeira verdade preciosa que encontramos neste salmo está logo no versículo um: Davi não diz "O Senhor é o pastor de Israel" nem "O Senhor é o pastor do seu povo". Ele diz algo muito mais íntimo, muito mais pessoal: "O Senhor é o meu pastor". Há uma apropriação pessoal, uma declaração de fé individual, que transforma essa afirmação em algo muito mais poderoso do que uma simples afirmação teológica coletiva.

Davi estava dizendo: Ele cuida de mim. Eu sou ovelha do seu pastoreio. Eu sou ovelha do seu rebanho. Eu experimento da parte desse pastor bondoso e amoroso o cuidado, a proteção, o livramento, o amor, a graça e o socorro sempre presente na angústia.

E todos aqueles que tiveram um encontro com Jesus e tiveram suas vidas marcadas pela graça do Senhor Jesus Cristo podem dizer o mesmo que disse Davi: o Senhor Jesus é o meu pastor — pessoal, é aquele que realmente cuida de mim, é aquele que deu a sua vida por mim, é aquele que me resgata, me livra do mal, me protege e está comigo todos os dias da minha vida.

A SUFICIÊNCIA DO PASTOR

A segunda verdade preciosa neste primeiro versículo é a afirmação "nada me faltará". Essa não é uma promessa de que quem tem o Senhor como pastor jamais passará por dificuldades, lutas, provações ou adversidades. Não é isso. O que Davi está declarando é que o Senhor é suficiente.

É exatamente essa mesma ideia que encontramos em 2 Coríntios 12, quando Paulo ora três vezes pedindo que Deus o livrasse do espinho na carne — aquele mensageiro de Satanás enviado para esbofeté-lo, a fim de que ele não se orgulhasse pela excelência das revelações que recebera. E a resposta de Deus foi sempre a mesma:

"A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."  — 2 Coríntios 12.9

É essa mesma mensagem que ressoa no versículo 1 do Salmo 23: o Senhor é meu pastor e ele é suficiente. Se eu tenho o Senhor Jesus como meu pastor, tenho tudo. Mas se não tenho Ele, não tenho nada. Ainda que me faltem coisas materiais nesta terra, eu tenho tudo nEle. E se o Senhor não for o meu pastor, ainda que eu tenha tudo aqui nesta terra, me falta tudo o que realmente importa.

O PASTOR SABE O QUE VOCÊ PRECISA

Há uma dimensão importante nessa verdade que não podemos ignorar: nem sempre o que a ovelha deseja é o que é melhor para ela. Muitas vezes a ovelha é atraída para precipícios. É o que ela quer, mas não é o que é bom para ela.

Nós também somos assim. Muitas vezes queremos coisas que serão prejudiciais à nossa vida. Muitas vezes desejamos coisas que podem nos destruir, que nos colocariam em precipícios e nos trariam dores e sofrimentos desnecessários. Por isso, nem sempre o Senhor nos dá o que desejamos, mas Ele sempre nos dará o que precisamos, porque Ele é o bom pastor — e o bom pastor conhece suas ovelhas melhor do que elas se conhecem.


 

Capítulo 2

Pastos Verdejantes e Águas Tranquilas

O Descanso da Alma

 

"Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto de águas de descanso; refrigera a minha alma. Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome."  — Salmo 23.2–3

 

O ALIMENTO DA ALMA

O pasto é o alimento da ovelha. Usando essa figura do cuidado que ele mesmo tinha com suas ovelhas quando era pastor no campo, Davi diz: "O Senhor me faz repousar em pastos verdejantes." O Senhor me oferece o melhor alimento para a minha alma — o mais poderoso e nutritivo, que é a sua Palavra.

Há uma canção em inglês, traduzida ao português, que diz de forma poética: "O Espírito Santo é o ar que respiro, e a Palavra de Deus é o pão que me alimenta." Que imagem linda e verdadeira! O Espírito Santo é o ar que nos sustenta, e a Palavra é o alimento que nos fortalece.

Porcos alimentam-se de bolotas, de lavagem, de coisas apodrecidas. Mas as ovelhas do Senhor Jesus alimentam-se de pastos verdejantes que simbolizam a Palavra de Deus ministrada ao coração. E quando nos alimentamos da Palavra, encontramos verdadeiro repouso espiritual para a nossa alma.

Às vezes estamos tão angustiados, tão ansiosos, tão agitados com tantas coisas. Mas quando nos debruçamos sobre a Palavra de Deus, quando começamos a meditar nela e a nos alimentar dela, descobrimos que é exatamente ali, nesse lugar de comunhão com a Palavra, que encontramos repouso e descanso para as nossas almas. Jesus mesmo disse:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas."  — Mateus 11.28–29

ÁGUAS TRANQUILAS

O salmista prossegue dizendo que o Senhor nos leva para junto de águas de descanso — ou águas tranquilas. Isso não é apenas poesia. Há aqui uma verdade muito prática sobre a natureza das ovelhas que ilumina o que Davi está nos dizendo.

A ovelha tem muito medo de águas agitadas. E há um motivo muito concreto para isso: como a ovelha tem muita lã, ela sabe — por instinto — que águas agitadas podem fazê-la afogar-se com facilidade. Se ela entrar em corredeiras ou se aproximar demais de águas revoltas, sua lã absorve rapidamente uma grande quantidade de água. Tão grande que a torna pesada demais para nadar. E ela afunda.

Por isso, a ovelha busca águas tranquilas. Ela precisa de águas mansas, onde possa beber com segurança. E o salmista declara que é exatamente para esse lugar que o nosso pastor nos conduz: para águas de descanso, onde somos guiados com segurança, onde podemos ser refrigerados sem sermos destruídos.

GUIADOS PELA VOZ DO PASTOR

Davi encerra este trecho dizendo que o Senhor nos guia pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Isso nos lembra aquilo que o próprio Jesus disse em João 10:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem."  — João 10.27

Quem é ovelha de Jesus ouvirá a voz do seu pastor e o seguirá. A voz de Jesus é o instrumento que Ele usa para nos guiar. Por isso, precisamos manter nossos ouvidos atentos à sua voz, manter o coração sintonizado com o Espírito Santo.

E observe: Ele nos guia "por amor do seu nome". Isso significa que tudo o que Ele faz em nossas vidas é fruto da graça — não porque merecemos, não porque somos especiais em nós mesmos, mas porque Ele é gracioso e fiel ao seu próprio caráter. Glória a Deus.


 

Capítulo 3

Ainda que Eu Ande pelo Vale

A Intimidade Forjada nos Vales

 

"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam."  — Salmo 23.4

 

OS VALES SÃO REAIS

Ninguém que tem o Senhor como seu pastor está isento de atravessar vales. Seria uma mentira pregar o contrário. O próprio Jesus nunca nos prometeu que seríamos poupados dos vales — mas nos prometeu algo melhor: a sua presença ininterrupta dentro deles.

Ele prometeu: "Nunca te deixarei, jamais te abandonarei" (Hebreus 13.5). Prometeu: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28.20). O que Ele nos garantiu não foi a ausência dos vales, mas a sua presença constante em qualquer vale que atravessarmos.

Podemos enfrentar vales nas finanças, na saúde, no casamento, no ministério, nos relacionamentos, no interior da nossa alma. É certo que, em algum momento da nossa caminhada com Ele, atravessaremos vales. E o salmista, diante dessa realidade, declara com firmeza: "Não temerei mal algum, porque tu estás comigo."

DE "SOBRE DEUS" PARA "COM DEUS"

Há algo fascinante e revelador neste versículo 4 que não podemos deixar passar. Até este ponto do salmo, Davi fala sobre Deus na terceira pessoa: "Ele me faz repousar... ele me conduz... ele me guia...". Ele está falando sobre Deus, descrevendo o seu pastor para quem o ouve.

Mas algo muda no versículo 4. Davi não fala mais sobre Deus — ele fala com Deus: "Não temerei mal algum, porque tu estás comigo." Ele usa a segunda pessoa. Não está mais descrevendo o pastor para outros; está se dirigindo ao pastor diretamente.

E isso nos dá uma lição extraordinária: os vales refinam a nossa intimidade com Deus. É nos vales que mais oramos. É nos vales que mais jejuamos. É nos vales que mais nos debruçamos sobre a Palavra. É nos vales que buscamos a Deus com mais intensidade e com mais sinceridade. É nos vales que a nossa relação com Ele deixa de ser uma descrição e se torna uma conversa, um encontro, uma intimidade real.

A LIÇÃO DE JÓ

Jó é um dos maiores exemplos bíblicos de alguém que encontrou a Deus nos vales. Ele era um homem íntegro, fiel, temente a Deus, que se desviava do mal e orava pela sua família constantemente. Ele até fazia sacrifícios pelos seus filhos, porque pensava: "Se porventura meus filhos pecaram..." — tamanha era a sua preocupação espiritual com eles.

Mas Jó passou por uma das maiores tormentas narradas nas Escrituras. Perdeu os filhos em um único dia. Perdeu as riquezas. Perdeu a saúde — ao ponto de se coçar com cacos de cerâmica. E até o seu casamento foi abalado, porque a própria mulher, em um momento de dor profunda — e não devemos julgá-la, porque nunca saberemos o que é a dor de uma mãe que perde dez filhos num único dia —, disse-lhe em desespero: "Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!" E Jó respondeu com serenidade: "Como fala uma mulher louca! Acaso, receberemos o bem de Deus e não receberemos o mal?" (Jó 2.9–10)

Jó clamava, questionava, buscava respostas. E quando Deus finalmente lhe respondeu — a partir do capítulo 38 até o 42 de Jó, respondendo com perguntas às suas perguntas e com revelações às suas indagações —, Jó chegou a uma conclusão extraordinária:

"Eu te conhecia só de ouvir; mas agora os meus olhos te veem."  — Jó 42.5

Antes do vale, Jó conhecia Deus de ouvir falar. Depois do vale, ele o conhecia de experiência própria, de intimidade real, de encontro face a face. E foi no vale que essa transformação aconteceu. Foi na dor, na provação, na angústia, que Jó passou de um conhecimento teórico para uma intimidade genuína com Deus.

Os vales são necessários. Não porque Deus se realiza com o nosso sofrimento — longe disso —, mas porque é nos vales que nos tornamos mais íntimos do nosso pastor Jesus. É nos vales que aprendemos a identificar com mais nitidez a voz do bom pastor. É nos vales que a nossa fé deixa de ser apenas um conjunto de verdades conhecidas e se torna uma vivência real e profunda.

O MOTIVO PARA NÃO TEMER

O salmista deixa claro qual é o fundamento da sua coragem diante dos vales: não é a sua inteligência, não é a sua força, não é a sua riqueza, não é o fato de estar rodeado de pessoas. O motivo é um só: "Tu estás comigo." A presença do Senhor é a razão pela qual não precisamos temer.

Você pode não ter respostas para tudo. Pode não entender o porquê do vale que está atravessando. Pode não conseguir enxergar o fim do túnel. Mas se você sabe — e sabe na fé, sabe pela Palavra, sabe pela experiência da graça — que o Senhor está com você, então você tem tudo o que precisa para não temer.


 

Capítulo 4

A Vara e o Cajado

Proteção e Resgate

 

"O teu bordão e o teu cajado me consolam."  — Salmo 23.4b

 

DOIS INSTRUMENTOS, DOIS PROPÓSITOS

O pastor, no ofício de cuidar das ovelhas, tinha dois instrumentos essenciais: a vara e o cajado. São dois instrumentos distintos, com propósitos distintos, mas ambos a serviço da mesma missão: proteger e preservar o rebanho.

A vara era o instrumento de combate. Ela tinha uma ponta afiada e era usada para afugentar os predadores — o leão, o urso, o lobo, o coiote, qualquer fera que se aproximasse para atacar as ovelhas. O pastor usava a vara para ferir o inimigo, para pô-lo em fuga, para defender o rebanho.

Davi conhecia esse uso da vara por experiência própria. Quando se apresentou ao rei Saul para enfrentar o gigante Golias — e Saul duvidava que aquele jovem pastorzinho pudesse derrotar um guerreiro gigante de quase três metros de altura —, Davi recorreu às vitórias do passado como prova da fidelidade de Deus:

"O teu servo tem apascentado as ovelhas de seu pai; e quando um leão ou um urso vinha, e tomava alguma ovelha do rebanho, eu saía após ele, e o feria, e livrava da sua boca... O Senhor, que me livrou das garras do leão e das garras do urso, esse me livrará da mão desse filisteu."  — 1 Samuel 17.34–37

As vitórias passadas que Deus lhe dera no campo foram a base da sua confiança diante do gigante. E o Deus que estava com ele nos campos de pastoreio seria o mesmo que estaria com ele no campo de batalha. Assim é conosco: o Senhor usa a sua vara — seu poder — para afugentar as hostes das trevas que tentam nos predar.

O CAJADO: PARA TRAZER DE VOLTA

O cajado, por sua vez, tinha uma forma bem diferente da vara. Ele tinha uma ponta curva, como o cabo de um guarda-chuva — uma curva arredondada na extremidade. E o pastor usava o cajado para puxar a ovelha pelo pescoço, trazendo-a de volta ao aprisco quando ela se desgarrava.

A ovelha tem uma tendência natural de se desgarrar. E isso vale tanto para a ovelha-bicho quanto para a ovelha-gente. Nós, como ovelhas do Senhor, também temos muita tendência de nos afastar do aprisco. São tantas coisas que vêm para nos distrair da caminhada, para nos afastar do rebanho, para nos colocar distantes do abrigo do pastor. E uma ovelha desgarrada é presa fácil dos predadores.

A ESTRATÉGIA DO PREDADOR

Isso nos remete a uma realidade que observamos no mundo natural. Uma das estratégias mais eficazes dos grandes predadores — leões, leopardos, lobos — é nunca atacar a manada de frente. Por quê? Porque a manada unida é mais forte do que o predador. Se o leão atacasse de frente um bando de búfalos, os búfalos poderiam matá-lo. Então o predador espera, observa, e identifica o mais fraco, o mais velho, o mais doente — ou aquele que se afastou do rebanho.

É quando o animal está desgarrado, isolado, distante da proteção coletiva, que o predador ataca. E na maioria das vezes, quando a presa percebe, já é tarde demais, porque o predador se aproximou sorrateiramente, usando a camuflagem, a distração, o fator surpresa.

No mundo espiritual funciona da mesma maneira. A Bíblia diz que o nosso adversário anda em derredor como leão que ruge, procurando alguém para devorar (1 Pedro 5.8). Qual é a presa mais fácil? Aquele que está fraco, aquele que não se renova espiritualmente, aquele cuja alma está adoecida — e principalmente aquele que se afasta do aprisco, que se distancia do rebanho do Senhor.

Se vivermos em unidade, se permanecermos no rebanho do Senhor, se não nos afastarmos do aprisco, fica muito mais difícil para o adversário nos atacar e nos vencer. Por isso o escritor aos Hebreus nos exortou: " Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia." (Hebreus 10.25)

O CAJADO É CONSOLAÇÃO, NÃO PUNIÇÃO

É preciso entender claramente: o cajado do Senhor não é para nos ferir. Não é para nos machucar. Não é para nos destruir. O cajado do Senhor serve para trazer a ovelha de volta ao aprisco, de volta ao propósito, de volta à caminhada com Ele.

O cajado pode se manifestar das mais variadas formas: uma provação, uma dificuldade, uma adversidade, algo que acontece em nossa vida e que nos desperta, que acende dentro de nós um alerta espiritual, que aguça nossos olhos para as realidades eternas. O cajado pode ser doloroso. Pode ser incômodo. Mas nunca é para nos destruir — sempre é para nos restaurar.

Por isso Davi diz que o cajado é consolação: "A tua vara e o teu cajado me consolam." Porque saber que o Senhor está disposto a nos trazer de volta — mesmo quando nos desgarramos, mesmo quando nos distraímos, mesmo quando escolhemos caminhos tortuosos — é uma das maiores demonstrações do amor e da fidelidade do nosso pastor.

Jesus falou sobre isso na parábola da ovelha perdida:

"Qual de vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai após a perdida, até a achar? E, achando-a, a põe sobre os seus ombros, cheio de alegria."  — Lucas 15.4–5

O cajado do Senhor é essa iniciativa amorosa de ir atrás da ovelha perdida, de trazê-la de volta ao aprisco. E quando Ele usa o cajado na sua vida, não se desespere. Não fuja ainda mais. Entregue-se ao pastor e deixe-o trazer você de volta ao propósito.


 

Capítulo 5

Uma Mesa Preparada

O Banquete na Presença dos Adversários

 

"Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários."  — Salmo 23.5a

 

A MUDANÇA DE FIGURA

No versículo 5, Davi faz algo muito interessante do ponto de vista literário e teológico: ele muda a figura de linguagem. Até aqui, toda a imagem era do campo de pastoreio — ovelhas, pastos, águas, vale, vara, cajado. Mas agora Davi muda o cenário e passa a descrever Deus como o anfitrião de um grande banquete, como aquele que nos convida para participar da sua festa, das suas bênçãos, do farto banquete da sua graça.

E há um detalhe magnífico nessa imagem: essa mesa não é preparada num lugar protegido, longe dos inimigos. Não. Ela é preparada na presença dos nossos adversários. É um banquete público. É uma demonstração diante de todos — inclusive diante de todos aqueles que tentaram nos prejudicar, que apostaram na nossa queda, que zombaram, criticaram, torceram contra nós.

QUEM SÃO OS NOSSOS ADVERSÁRIOS?

Aqui é importante fazer uma aplicação para o contexto da nova aliança. Quando ministro textos do Antigo Testamento, gosto sempre de trazer a perspectiva da nova aliança, porque é nela que vivemos.

A Bíblia nos diz claramente em Efésios 6.12:

"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas desta era, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais."  — Efésios 6.12

Nós não consideramos nenhuma pessoa como nossa inimiga. Nossos verdadeiros inimigos são espirituais. Sabemos que o adversário Satanás e suas hostes malignas podem usar pessoas como instrumentos de maldade contra nós — mas as pessoas em si não são nossos inimigos. Nós as amamos. Oramos por elas. Desejamos o bem a elas.

Mas o inimigo espiritual — esse sim apostou na nossa queda, na nossa destruição, na nossa derrota. Assim como apostou que Jó não suportaria as provações. E Deus, em sua soberania e graça, não apenas sustentou Jó como ainda o abençoou em dobro ao final de tudo. Porque a mão de Deus sobre a vida de uma pessoa é mais poderosa do que qualquer estratégia do inimigo.

O BANQUETE DA GRAÇA

E é isso que Davi está nos dizendo: Deus prepara para nós uma mesa farta, uma mesa de honra, de graça, de amor, de misericórdia e de favor — e prepara na presença daqueles que tentaram nos destruir. É como se dissesse ao adversário: "Esta pessoa é minha, está sob minha proteção, e vou abençoá-la diante dos seus olhos."

Aquelas situações que tentaram nos destruir, aquelas pessoas que torceram contra, aquelas vozes que diziam "agora ele cai, agora ela não resiste" — elas terão que testemunhar, pela graça de Deus, como o Senhor nos honra, nos sustenta e nos abençoa. Não porque somos superiores, mas porque o nosso pastor é incomparavelmente poderoso e incomparavelmente bom.

A UNÇÃO DO ÓLEO

O salmista continua: "Unges a minha cabeça com óleo." Davi volta aqui à imagem do pastoreio. O pastor usava o óleo — principalmente o azeite de oliva — como antisséptico natural para curar as feridas das ovelhas. Especialmente no focinho, onde as feridas, se não tratadas, tornavam-se focos de infecção, atraindo moscas e proliferando contaminação.

O pastor aplicava o óleo regularmente como proteção e cura. E essa unção é a imagem da obra do Espírito Santo na nossa vida.

Minha esposa é psicóloga, e reconheço profundamente a importância do trabalho de todos os profissionais da saúde mental — psicólogos, psiquiatras, psicanalistas. Eles podem ser, e frequentemente são, instrumentos preciosos nas mãos de Deus para grandes restaurações. Mas existe algo de uma dimensão tão sobrenatural e tão poderosa, que vai além de qualquer método humano: quando o óleo da unção do Espírito Santo desce sobre uma alma ferida.

Por mais feridos e quebrados que estejamos, por mais que a alma esteja esfrangalhada, machucada, humilhada, envergonhada — quando o óleo da unção do Espírito Santo vem sobre nós, somos refeitos. Somos curados. Uma unção nova vem sobre nós, um renovo se manifesta, a cura se estabelece. O Espírito Santo nos unge com o óleo da alegria, e a nossa alma é restaurada de forma sobrenatural.

PESSOAS FERIDAS, PESSOAS QUE FEREM

Há um princípio pastoral importante aqui que precisamos entender: quem mais fere os outros são pessoas feridas. Pessoas machucadas, traumatizadas pela vida, que não permitiram ainda que essa cura do Senhor se manifestasse em suas almas, frequentemente ferem os outros como mecanismo de defesa — para proteger a ferida que ainda está aberta.

Um marido ferido, que não permite que a unção do Espírito Santo cure suas feridas internas, pode ferir a esposa e os filhos. Uma mulher ferida, traumatizada, que não se abre para essa cura, pode machucar o marido e os filhos. Pais feridos podem transmitir às gerações seguintes as dores que carregam.

Mas quando permitimos que a unção venha sobre nós — quando nos abrimos para que o óleo do Espírito Santo desça sobre nossas feridas como o pastor untava suas ovelhas —, somos curados. E mais do que isso: somos curados para curar. Somos restaurados para ser instrumentos de restauração na vida de quem está ao nosso redor.

Permita que essa unção venha sobre você. Abra o seu coração para o Espírito Santo e diga: "Senhor, unge-me com teu óleo. Sou ovelha do teu pastoreio. Cura as minhas feridas para que eu possa ser instrumento de cura na vida da minha família, dos meus amigos, daqueles que estão ao meu redor."

O CÁLICE QUE TRANSBORDA

E Davi termina o versículo 5 com uma declaração de exuberância e gratidão: "O meu cálice transborda." Não é apenas cheio — transborda. É uma imagem de abundância que excede o que o cálice comporta. É a imagem da bênção que ultrapassa os limites do que podemos conter.

Esse é o Deus a que servimos. Não com parcimônia, não com mesquinhez, mas com um coração transbordante de generosidade, de amor e de graça. Quando Ele abençoa, o cálice não apenas fica cheio — ele transborda.


 

Capítulo 6

Bondade e Misericórdia

Seguidos para Sempre

 

"Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida."  — Salmo 23.6a

 

DUAS FACES DO AMOR DE DEUS

Bondade e misericórdia. Duas palavras que resumem a postura de Deus para com as suas ovelhas. Vale a pena entender o que cada uma significa, porque juntas elas formam uma proteção abrangente e completa.

A bondade é dar a alguém o bem que ela não merece. É a generosidade de Deus que nos alcança com graça, que nos abençoa, que nos favorece — não porque merecemos, mas porque Ele é bom. Não porque somos dignos em nós mesmos, mas porque Ele é bondoso e generoso.

A misericórdia, por sua vez, é privar alguém do mal que ela merece receber — do castigo que, por sua própria condição de pecadora, lhe seria devido. É a mão de Deus que nos protege das consequências que merecíamos. É o perdão que vem quando merecíamos punição. É a graça que nos guarda quando merecíamos ser abandonados.

Juntas, bondade e misericórdia cobrem toda a extensão da nossa necessidade. Pela bondade, recebemos o bem que não merecemos. Pela misericórdia, somos poupados do mal que merecíamos. É uma cobertura dupla, perfeita, que só pode vir do coração do nosso bom pastor.

SEGUIDOS — NÃO APENAS ENCONTRADOS

Mas a imagem que Davi usa aqui é ainda mais rica: ele não diz que a bondade e a misericórdia o encontrarão de vez em quando, ou que estarão disponíveis quando ele as buscar. Ele diz que elas o seguirão. São companheiras permanentes da sua jornada.

Onde quer que Davi fosse, bondade e misericórdia iriam atrás. Para onde quer que você vá — para a direita ou para a esquerda, para o norte ou para o sul, para frente ou para trás —, bondade e misericórdia seguirão você. Você não precisa alcançá-las; elas seguem você.

E por quanto tempo? "Todos os dias da minha vida." Não um dia, não dois. Não uma estação, não uma fase. Todos os dias. Todo santo dia. “Every single day”, como se diz em inglês. Sem exceção, sem interrupção, sem condição.

A DECLARAÇÃO DE FÉ

Essa certeza que Davi expressa é fé. É uma declaração de confiança inabalável no caráter do seu pastor. E é isso que precisamos cultivar em nossas próprias vidas — independente dos vales que estejamos atravessando, independente das adversidades, independente dos perigos e das lutas.

Podemos declarar com a mesma convicção de Davi: eu serei seguido todos os dias pela bondade e pela misericórdia do Senhor. Para onde eu for, bondade e misericórdia me seguirão. Nos vales e nas montanhas, nas provações e nas bênçãos, nos momentos de alegria e nos momentos de dor — bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida.

Isso não é arrogância. É fé. É o reconhecimento de quem é o nosso pastor e de quão fiel Ele é para com as suas ovelhas.


 

Capítulo 7

Habitarei na Casa do Senhor

A Esperança da Eternidade

 

"E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre."  — Salmo 23.6b

 

O HORIZONTE DA ETERNIDADE

Com essas palavras, Davi encerra o salmo com a perspectiva mais ampla e mais gloriosa de todas: a eternidade. Não está falando aqui do templo terreno de Jerusalém, mas da morada eterna de Deus, da presença permanente e definitiva do Senhor.

Este é o destino final das ovelhas do bom pastor: habitar na casa do Senhor para todo o sempre. E é nesse ponto que o caráter profético e messiânico do Salmo 23 brilha com mais intensidade, porque o próprio Jesus falou sobre isso de forma explícita:

"Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."  — João 14.1–3

Jesus foi preparar lugar. Moradas celestiais, eternas, imperturbáveis. E Ele virá para nos levar para junto de si. A vida do crente não termina com a morte — ela se expande para a eternidade. Por isso não precisamos temer o que mais aterra o coração humano.

A MORTE DESTRONADA

A morte é o temor mais universal da existência humana. É a sombra que paira sobre cada vida. Mas a Bíblia declara que Jesus a venceu. Paulo exprime isso com um canto de triunfo:

"Então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?"  — 1 Coríntios 15.54–55

O aguilhão da morte é o pecado. Mas Jesus venceu o pecado na cruz do Calvário. É como uma abelha que perdeu o ferrão — ela ainda pode causar desconforto, mas não tem mais o poder de matar. A morte, para aquele que está em Cristo, perdeu o seu poder definitivo. Ela é apenas uma transição, não uma finalidade.

Quando o crente fecha os olhos nesta terra, os seus olhos se abrem na eternidade. É ali que seremos revestidos de glória, onde não haverá mais dor, nem tristeza, nem sofrimento, nem lágrimas, porque Deus mesmo enxugará toda lágrima dos nossos olhos (Apocalipse 21.4).

UMA FAMÍLIA NO CÉU

E quando chegarmos lá — e que demore bastante, amém! —, vamos encontrar muita gente boa que foi antes de nós. A Bíblia fala de uma família no céu e uma família na terra. Há uma grande família de Deus que já está lá, que já habita na casa do Senhor para sempre. De lá ninguém mais pode removê-los, de lá ninguém mais pode tirá-los.

E Paulo, refletindo sobre a impossibilidade de qualquer coisa nos separar dessa eternidade e desse amor, nos deixa um dos textos mais poderosos de toda a Escritura:

"Estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem as do futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor."  — Romanos 8.38–39

Nada. Absolutamente nada. Nem os vales mais profundos, nem os inimigos mais poderosos, nem a própria morte. Uma vez alcançado pela graça, a graça te abraça e te envolve para sempre. Você habitará na casa do Senhor para todo o sempre.


 

 

CONCLUSÃO

A Segurança do Crente

 

Percorremos, verso a verso, o Salmo 23. E o que encontramos neste texto tão conhecido, tão repetido, tão amado, é uma mensagem que nunca envelhece: o Senhor é o nosso pastor, e isso é suficiente.

 

Ele nos dá tudo o que precisamos — não necessariamente tudo o que desejamos, mas tudo o que precisamos. Ele nos conduz a pastos verdejantes, onde a sua Palavra nos alimenta e nos sustenta. Ele nos leva a águas tranquilas, onde somos refrigerados e renovados. Ele nos guia pelas veredas da justiça, não por nosso mérito, mas por amor do seu nome.

Quando atravessamos os vales — e os atravessaremos —, Ele está conosco. É nesses momentos que mais nos aproximamos dEle, que a nossa intimidade com o pastor se aprofunda. É nos vales que passamos de falar sobre Deus para falar com Deus.

Ele usa a vara para nos proteger dos predadores, afugentando as hostes das trevas. E usa o cajado — com amor, nunca com crueldade — para nos trazer de volta ao aprisco quando nos desgarramos. E isso é consolação, não punição.

Ele prepara uma mesa farta para nós, na presença dos nossos adversários. Unge nossas feridas com o óleo do Espírito Santo, curando o que nenhuma outra medicina alcança. Enche o nosso cálice até transbordar.

E nos envolve com bondade e misericórdia todos os dias da nossa vida — para que aonde quer que vamos, para onde quer que a jornada nos leve, essas duas companheiras fiéis estejam sempre conosco.

E ao final de tudo — ao fim desta vida tão passageira, que por mais longa que seja não é nada diante da eternidade —, habitaremos na casa do Senhor para todo o sempre. A morte não tem a última palavra. Cristo tem. E Ele disse que foi preparar lugar para nós.

 

Independentemente do que você esteja enfrentando hoje — seja em que área for, seja qual for o vale que está atravessando neste momento —, a mensagem do Salmo 23 é clara: você não precisa temer, porque o Senhor está com você. O bom pastor está com você.

 

E se você ainda não conhece esse pastor, se você ainda não tem o Senhor Jesus como o seu pastor pessoal, este é o momento mais importante desta leitura: você pode recebê-lo agora. Ele está esperando por você com o cajado do seu amor na mão, pronto para trazer você de volta ao aprisco, para cuidar de você, para ser o seu pastor pessoal para todo o sempre.


 

 

ORAÇÃO FINAL

 

Senhor Jesus, bom pastor, obrigado por cuidar de mim como cuidas das tuas ovelhas. Obrigado por me conduzir a pastos verdejantes, onde sou alimentado pela tua Palavra. Obrigado por me levar a águas tranquilas, onde sou refrigerado pelo teu Espírito. Obrigado por estar comigo nos vales, pela tua presença que dissipa o medo.

Usa a tua vara para afugentar todo inimigo que se aproxima para me predar. E usa o teu cajado para me trazer de volta quando eu me desgarrar. Unge-me com o óleo do teu Espírito e cura cada ferida da minha alma, para que eu seja curado e possa ser instrumento de cura na vida daqueles ao meu redor.

Que a bondade e a misericórdia me sigam todos os dias da minha vida. E que, ao final desta jornada, eu habite na tua casa para todo o sempre. Em nome de Jesus, amém.


 

 

SOBRE O AUTOR

 

Josivaldo Oliveira é pastor da Igreja Ministério Shallom, em Jaguaquara, Bahia, onde serve sob a cobertura espiritual do Apóstolo Joselito Aragão e da Pastora Neide Aragão.

 

Casado há mais de 28 anos com Judy Oliveira — psicóloga clínica, terapeuta familiar e pastora —, é pai de três filhos: Caroline, Jonathan e Sara Oliveira.

 

Desde 2010, quando meditando em Jeremias 30.2 ("Escreve num livro todas as palavras que te tenho dito") sentiu uma palavra específica de Deus ao seu coração, Josivaldo Oliveira tem se dedicado a transformar em texto escrito tudo o que o Senhor tem falado através do seu ministério. Seus sermões são convertidos em livretos, mensagens de blog e obras literárias, com o objetivo de multiplicar a Palavra de Deus além das paredes da congregação local.

 

Este livreto é fruto dessa chamada e dessa obediência.

 

Igreja Ministério Shallom — Jaguaquara, Bahia, Brasil.


Josivaldo Oliveira

Pastor — Igreja Ministério Shallom

Jaguaquara – Bahia

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