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quarta-feira, julho 29, 2026

Dons Espirituais: Como Usar com Humildade, Dedicação e Alegria o Que Deus Colocou em Você – Josivaldo Oliveira

 

Dons Espirituais: Como Usar com Humildade, Dedicação e Alegria o Que Deus Colocou em Você – Josivaldo Oliveira

Uma reflexão pastoral sobre Romanos 12:3-8

Você já parou para pensar por que Deus colocou justamente aquelas habilidades em você e não outras? Por que existe gente com uma facilidade incrível para ensinar, outros que choram de compaixão diante do sofrimento alheio, e outros ainda que parecem ter as mãos abençoadas para gerar recursos e sustentar obras inteiras? Nada disso é acaso. É dom. E hoje quero conversar com você, à luz de Romanos 12:3-8, sobre como Deus distribui esses dons e, principalmente, sobre como devemos exercê-los.

Vamos ao texto:

 "Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque, assim como em um só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons, segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina, esmere-se em fazê-lo; ou o que exorta, faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria" (Romanos 12:3-8).

Esse texto, escrito pelo apóstolo Paulo sob a inspiração do Espírito Santo, fala sobre o correto uso dos dons espirituais. E é sobre isso que quero falar com você.

O Que É um Dom?

A palavra dom vem do grego carisma. É um presente, uma dádiva dos céus. Dons são presentes que Deus nos dá em forma de capacitações espirituais, sobrenaturais — ou até mesmo aquilo que chamamos de "natural", porque Deus nos deu desde o nascimento, mas que também vem dele. Ou seja: todos os dons são dádivas de Deus, e nós os recebemos pela graça.

Ninguém recebe dom por mérito próprio. A dignidade é a dignidade de Cristo, e nós recebemos por graça de Deus. Não pagamos nada para receber os dons; nós os recebemos de forma sobrenatural, por uma dádiva do céu.

E como eu costumo dizer: todos nós temos dons — não apenas um, mas muitos, muitas habilidades que Deus nos deu. Só que esses dons não devem ser usados em nosso benefício próprio. Os dons devem ser usados para glorificar a Deus e para servir o nosso próximo. Precisamos usá-los para a edificação do irmão, para servir a nossa comunidade de fé, para servir a humanidade, para servir aqueles que estão próximos de nós — e hoje, com a tecnologia, até quem está distante pode se tornar próximo.

É sobre o uso correto dos dons que Paulo trata neste texto. E ele começa dizendo: "porque pela graça que me foi dada" — reconhecendo que os dons que fluíam nele vinham da graça que havia recebido de Deus. Graça significa favor imerecido. Nós não merecemos, mas porque estamos em Cristo, e pela dignidade de Cristo, nós recebemos.

Primeiro Princípio: Exercer os Dons com Humildade

A primeira coisa que precisamos entender sobre o exercício dos dons é que eles precisam ser exercidos com humildade. Paulo diz: "não penseis de si mesmos além do que convém, mas pensem com moderação, com equilíbrio."

Isso não significa pensarmos que somos "pobres coitadinhos", que não temos valor nenhum. Não podemos pensar assim, porque se não tivéssemos valor, o Senhor Jesus não teria dado a sua vida preciosa por nós, nem o seu precioso sangue. A própria Palavra de Deus, nas palavras do próprio Senhor Jesus, diz que valemos muito mais do que as aves, e Paulo nos ensina que Deus se importa muito mais conosco do que com os bois. Então é claro que temos valor.

Mas, ao mesmo tempo, também não podemos pensar que somos, como dizem os mais jovens hoje, "a última água do deserto" ou "a última bolacha do pacote". Paulo nos ensina a pensar sobre nós mesmos com moderação, com equilíbrio, entendendo que temos valor, mas que esse valor está atrelado ao fato de termos Jesus em nossas vidas. É o valor que Deus nos atribui.

Devemos exercer os nossos dons com essa moderação, com esse equilíbrio, com essa humildade, reconhecendo que o que temos veio de Deus. Os dons que possuímos, foi Deus quem nos deu. Não é fruto do nosso mérito — é simplesmente graça de Deus operando sobre nós.

A Medida da Fé que Deus Repartiu

Paulo continua dizendo que cada um recebeu "segundo a medida da fé que Deus repartiu". Deus compartilha uma medida de fé para cada um de nós. Há pessoas que têm uma medida de fé para a salvação de familiares, outras para operar milagres, outras para prosperar em um nível maior do que os demais. Há quem tenha um nível de fé para orar por milagres, e há quem tenha um nível de fé para suportar, por muito tempo, provações, intempéries e dificuldades. A cada um, Deus repartiu uma medida e um tipo de fé.

Somos Um Só Corpo, mas com Funções Diferentes

No versículo 4, Paulo faz uma comparação belíssima: "porque, assim como em um só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros."

Paulo compara a igreja com o corpo humano, mostrando que a igreja é o corpo de Cristo. Em um corpo, cada parte tem a sua função: a mão tem uma função, os pés têm uma função, os olhos, a boca, os ouvidos — cada um com seu papel. Até os órgãos escondidos dentro de nós, que não são visíveis, como o cérebro, o coração e o fígado, são extremamente importantes e úteis — muitas vezes mais até do que aqueles que são visíveis. O cérebro, por exemplo, é muito mais importante do que a mão, embora não seja visível.

Assim também no corpo de Cristo: cada dom tem a sua importância. Não existe dom que não seja útil, que não seja necessário no reino de Deus. E precisamos exercer os nossos dons com humildade, para a glória de Deus e para a edificação dos nossos irmãos, para servir a nossa comunidade.

Então eu pergunto a você: quais são os dons que Deus te deu? Quais são as habilidades que você carrega? Qual é a unção que você carrega sobre a sua vida? Você precisa pegar tudo isso e colocar à disposição do reino de Deus.

Os Dons São Para Servir, Não Para Enriquecer a Si Mesmo

Talvez você tenha uma paixão por jovens, e queime no seu coração o desejo de trabalhar com eles — Deus está te capacitando para isso. Talvez outras pessoas tenham o coração ardendo por crianças, principalmente crianças em situação de vulnerabilidade — e Deus está movendo esse coração, capacitando, dando dons.

Há pessoas que receberam de Deus o dom de fazer dinheiro para investir no reino, na obra missionária. A Bíblia diz, em Deuteronômio 8:18 "antes, lembrar-te-ás do Senhor teu Deus, porque é ele que te dá poder para adquirir riquezas — outras versões traduzem: "é ele que te dá habilidade para adquirir riquezas." Deus dá a algumas pessoas habilidade para adquirir riquezas. Ele quer que todos os seus servos sejam supridos, que tenham sustento e provisão. Mas existem servos de Deus que, além da provisão, recebem uma habilidade especial para tocar em dinheiro e fazê-lo prosperar — como na figura mitológica do "toque de Midas", em que tudo que aquele ser tocava virava ouro. Usando uma expressão que a minha pastora, Pastora Neide, costuma usar: "o dinheiro dessas pessoas pare."

Mas para que serve esse dom? Não é para a pessoa simplesmente acumular riquezas e bens. É para que ela seja instrumento de Deus para abençoar pessoas, gerar empregos para muitos pais de família, abençoar projetos do reino, abrir centros de treinamento cristão, investir em escolas cristãs, em centros de recuperação, em obras missionárias nos países onde o evangelho é perseguido — nos países da chamada "janela 10/40" — e investir na igreja local, para que a obra avance e prospere. Como diz a Palavra de Deus, em Eclesiastes 10:19 o dinheiro responde a tudo.

O Testemunho de George Müller

Quantas pessoas podem ser beneficiadas por um centro de recuperação para dependentes químicos, patrocinado por um empresário ou uma empresária de Deus, que o abastece com médicos cristãos, psicólogos cristãos e pregadores ministrando constantemente, dando a essas pessoas uma nova oportunidade? Ou como um orfanato cristão que cuida de muitas crianças — como na biografia de George Müller.

Se você não conhece a história de George Müller, vale a pena conhecer. Foi um homem de fé, um homem de oração, em cujo coração Deus colocou o propósito de criar um orfanato cristão para crianças. Ele sustentou crianças por muitos anos — chegou a cuidar de mais de 10 mil crianças, que foram ministradas, cuidadas e alimentadas. Muitas vezes Deus usou pessoas, inclusive empresários, para abençoar aquele trabalho.

Müller decidiu viver pela fé. Muitas vezes ele orava a Deus sem ter comida, sem ter nada. Montava os pratos na mesa para as crianças e dizia: "Crianças, vamos orar, agradecendo a Deus pelo pão de cada dia" — mesmo sem ter pão nenhum preparado. E, de repente, no meio daquela oração, com a mesa já posta mas vazia, batiam à porta. Alguém dizia: "Sou dono de uma padaria, e os pães de hoje passaram um pouco do ponto, não vão dar para vender. Gostaria de doar. Você aceita?" E aceitavam. Vinha outro e dizia: "Queremos doar leite." Pessoas com recursos eram movidas por Deus através daquela oração, muitas vezes sem sequer conhecer a necessidade do orfanato, e supriam tudo.

Müller registrava todas as suas orações, e teve mais de 5 mil orações respondidas documentadas. Deus levanta homens e mulheres de negócios, grandes empreendedores do reino, com o propósito de abençoar essas obras.

Então, talvez o seu dom seja fazer dinheiro — para você investir. Talvez o seu coração queime por cuidar de crianças, e Deus vai te dar o dom para isso. Talvez seu coração queime por trabalhar com jovens, e Deus vai te dar a habilidade para falar a linguagem deles e alcançá-los para Jesus. Talvez queime por alcançar pessoas presas ao vício das drogas, e Deus vai te capacitar para isso. Cada dom que Deus dá é para servir a uma pessoa, a um grupo, a uma comunidade. É para servir a humanidade e para a glória de Deus. Quem dá o dom é Deus, e quem capacita é Deus. Claro que cabe a nós usá-lo de forma devida, mas quem dá é o Senhor.

Quando não usamos o dom que recebemos, a igreja não é beneficiada como deveria ser.

Viva Acima das Críticas e dos Elogios

Se você foi chamado para exercer o seu dom em uma área específica, exerça — mesmo que enfrente desafios, mesmo que haja dificuldade.

Há algumas semanas eu preguei uma palavra e disse o seguinte: precisamos fazer o que Deus nos chamou para fazer com fidelidade, independentemente de sermos aplaudidos ou criticados. Às vezes as pessoas vão nos elogiar pelo que estamos fazendo; outras vezes vão nos criticar pela mesma coisa. Os mesmos que ovacionaram Jesus numa semana, dizendo "bendito o que vem em nome do Senhor", na semana seguinte gritaram: "crucifica-o, crucifica-o!"

Precisamos viver acima das críticas e dos elogios. Precisamos estabilizar o nosso coração nisso. Se temos convicção de que Deus nos chamou para exercer aquele ministério, que ele nos deu os dons e nos capacitou, então, independentemente das críticas ou dos desafios que sofrermos, precisamos continuar. E mesmo quando recebemos elogios, não podemos ser movidos por eles. Precisamos ser movidos pela convicção do chamado, pela convicção do propósito.

Às vezes eu prego uma mensagem e a publico — às vezes a mensagem inteira, de cerca de 50 minutos, às vezes em cortes menores que minha filha Carol edita para mim. E as reações são muito diferentes diante da mesma mensagem. Há pessoas que dizem: "que palavra abençoada, fui ministrado." E há pessoas que me ofendem. Um dia alguém comentou nas redes sociais que eu era sócio do diabo. Outro dia, alguém perguntou, querendo insinuar que eu não trabalhava por ser pastor: "você trabalha com o quê, afinal?"

As pessoas fazem os seus comentários, mas eu preciso viver acima das críticas e dos elogios. Preciso ter convicção do que Deus me chamou e continuar fazendo aquilo, independentemente de ser aplaudido ou criticado. Se a crítica vem de pessoas que me amam, que me respeitam e que querem o meu bem, eu posso avaliar se há algum fundo de verdade ali, para o meu crescimento. Isso é possível e saudável. Mas se a crítica vem de alguém que não contribui em nada com o meu chamado e o meu ministério, e cuja intenção é claramente nos derrubar, nos destruir — essa crítica a gente deixa passar.

O mesmo vale para o elogio. A Bíblia diz que o coração do homem é provado pelos elogios que recebe (Provérbios 27:21). Não podemos guardar o elogio no coração até ficarmos inflados, inchados, orgulhosos. Se alguém nos elogia com sinceridade, agradecemos — e, no coração, atribuímos aquele elogio a Deus: "Senhor, obrigado, porque sei que de mim não vem nada; é pela tua graça. Se preguei e alguém foi abençoado, se ministrei e alguém foi curado, se fiz alguma coisa, é a tua graça. A ti dou a glória." E se o elogio é bajulação para nos derrubar mais tarde, também deixamos passar.

No exercício do nosso dom, não podemos ser movidos nem pela crítica, nem pelo elogio. Haverá pessoas que nos elogiarão, pessoas que nos criticarão, e até as mesmas pessoas, em momentos diferentes, farão as duas coisas. Mas precisamos estar acima disso tudo, com a convicção de que Deus nos chamou para fazer o que estamos fazendo, e que ele nos deu os dons e a capacidade para isso. Nosso chamado é ser fiéis a Deus, independentemente dos desafios.

Os Diferentes Dons Mencionados por Paulo

Em Romanos 12:5-8, Paulo escreve: "assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons, segundo a graça que nos foi dada." Mais uma vez ele reforça que os dons são segundo a graça — não é mérito. Porque há quem, ao receber um dom de Deus, acha que o recebeu por ser muito santo, muito piedoso. Não. Dom é graça. Dom é favor imerecido. E por isso o dom, em si, não é sinônimo de espiritualidade.

Basta olhar para a igreja de Corinto: era uma igreja cheia de dons, mas extremamente carnal. Basta ler as cartas de Paulo aos Coríntios, especialmente o capítulo 3 da primeira epístola, para perceber isso. Dons não são sinônimo de espiritualidade, porque dons são graça — não é porque a pessoa merece. Mas podemos, sim, exercer esses dons com maturidade, com espiritualidade, com reverência, com temor e com fidelidade.

A partir daqui, Paulo relaciona diferentes dons e como cada um deve ser exercido:

Profecia — "segundo a proporção da fé". É o dom da palavra, da pregação, de usar a voz para proclamar a mensagem de Deus — seja uma palavra revelada naquele momento, específica, de conselho, de orientação ou de exortação, seja a própria exposição da Palavra de Deus. Aquele que recebeu esse dom deve usá-lo para proclamar a mensagem de Deus tal como ela é. Como Deus me deu o dom da pregação e do ensino, estou aqui fazendo isso agora — ministrando, pregando, exortando, encorajando os amados pela palavra do Senhor. Precisamos exercer esse dom segundo a proporção da fé que recebemos.

Ministério — "dediquemo-nos ao ministério". A palavra ministério significa serviço. Um ministro é um servo. O termo original em grego se referia ao servo mais baixo, aquele que ficava no porão do navio, remando — colocado ali quase como uma sentença de morte, remando para que o navio chegasse ao destino. Hoje, quando falamos "ministro", parece algo pomposo, importante, mas a palavra original designa esse servo humilde. O ministério é, portanto, um serviço: você recebeu algo para executar. A Bíblia diz que o maior é aquele que serve. Se você recebeu o dom de cozinhar, por exemplo, que graça há em cozinhar apenas para você? A graça está em cozinhar também para os outros. Assim como um amigo que gosta de fazer churrasco convida todos para servi-los com aquilo que sabe fazer. Todo dom existe para você servir. Quem recebeu o dom do serviço deve se dedicar a ele com disposição.

Ensino — "esmere-se em fazê-lo". Quem recebeu o dom do ensino precisa se dedicar a ler, a estudar, a compreender com mais precisão a Palavra de Deus — porque não se pode ensinar aquilo que não se aprendeu antes.

Exortação — "faça-o com dedicação". Exortar é encorajar. Você já deve ter percebido que, nestes últimos domingos, tenho ministrado muitas palavras de encorajamento. Às quintas-feiras à noite tenho ministrado mais palavras de ensino, e aos domingos à noite, ultimamente, mais palavras de encorajamento. O Senhor colocou isso no meu coração para este tempo, porque muitos irmãos estavam abatidos diante de tantas circunstâncias, e o Senhor tem me dado palavras para levantá-los. Neste domingo, por exemplo, trouxe uma palavra de Isaías 40:28-31, sobre a renovação das forças, com o tema "Deus te dará forças" — porque sabemos que os desafios são grandes.

Exortar é encorajar, é animar aquele que está abatido, frio na fé, que precisa ser reerguido. Foi o ministério que o próprio Jesus exerceu: a profecia de Isaías dizia que o Messias não apagaria o pavio fumegante, nem quebraria a cana rachada. O pavio quase apagado, com apenas um fiapo de fumaça — Jesus não terminaria de apagá-lo, mas o acenderia novamente. A cana rachada, que já não emitia som — espécie de flauta — Jesus não a quebraria de vez, mas a restauraria para que voltasse a soar. Assim, no ministério da exortação, nós também levantamos aqueles que estão caídos, pela graça e pela unção de Deus em nós: animamos, encorajamos, exortamos.

E, na verdade, todo dom, todo ministério, precisa ser exercido com dedicação. Se você foi chamado para liderar uma célula, lidere com dedicação. Se foi chamado para cuidar de crianças, cuide com dedicação. Se foi chamado para cuidar de jovens, faça-o com dedicação. Se foi chamado para ganhar dinheiro e patrocinar a obra de Deus, faça isso com dedicação. Se foi chamado para restaurar famílias e casamentos, faça isso com dedicação. Seja qual for o chamado, faça-o com dedicação.

Contribuição — "com liberalidade". Todo crente deve contribuir financeiramente com a obra de Deus. Mas, como já mencionei, existem pessoas às quais Deus dá habilidade especial para adquirir riquezas (Deuteronômio 8:18). Se você recebeu de Deus o dom de contribuir, de investir na obra de forma mais abundante, o texto diz que você deve fazer isso com liberalidade — uma generosidade extravagante, abundante, porque o seu dinheiro vai abençoar muitas pessoas.

Liderança — "com diligência". Presidir, aqui, no sentido de liderar, de estar à frente de um trabalho — seja uma célula, uma rede de jovens, uma rede de mulheres, um departamento, a sua própria casa e família, ou até a sua empresa. Se você exerce liderança, deve fazê-lo com diligência — que é trabalho árduo, intenso, muitas vezes extenuante e cansativo, mas necessário.

Misericórdia — "com alegria". É a compaixão, a empatia sobrenatural de se colocar no lugar de quem sofre, de quem precisa de assistência da parte de Deus através da sua vida. Quem exerce esse dom deve fazê-lo com alegria, não como fardo ou peso. A Bíblia diz que a misericórdia é uma semente: Jesus disse que bem-aventurados são os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Se plantarmos a semente da misericórdia, colheremos misericórdia quando precisarmos dela.

Cumpra o Seu Chamado

Quero dizer uma coisa para você: você foi chamado por Deus. Digo isso com toda certeza e convicção — você recebeu de Deus um chamado. Ele colocou em você muitos dons. Não apenas um, não apenas dois, mas muitos dons, muitas habilidades, muito potencial para fazer coisas grandes.

E o que você precisa dizer é: "Senhor, eis-me aqui, usa-me como teu instrumento." Se você fizer isso, Deus vai te usar poderosamente. Pessoas serão salvas através da sua vida. Pessoas serão abençoadas, restauradas. Casamentos serão transformados. Pessoas serão curadas — não apenas fisicamente, mas na alma, na emoção, na mente — através da sua vida. Pessoas serão alimentadas. Pessoas encontrarão um novo destino, um novo futuro, uma nova perspectiva de vida a partir da sua vida.

E o que você precisa fazer? Exercer os seus dons. Exercer os dons que Deus te deu, simplesmente acima das críticas, dos elogios e das dificuldades. Cumpra o seu chamado, e deixe Deus te usar para coisas extraordinárias, em nome de Jesus.

 

sábado, julho 25, 2026

Vencendo o Mal com o Bem: O Que Fazer Quando Alguém Se Torna Seu Inimigo - Josivaldo Oliveira

 

Vencendo o Mal com o Bem: O Que Fazer Quando Alguém Se Torna Seu Inimigo

Provérbios 25:21-22

Shallom, povo lindo do Senhor!

Gostaria de compartilhar com você um texto muito precioso que está no livro de Provérbios, capítulo 25, versículos 21 e 22. É uma palavra de sabedoria para o dia de hoje.

O livro de Provérbios é um livro que trata sobre sabedoria. Eu costumo dizer que temos muitos livros na Bíblia — o Apocalipse, por exemplo, é um deles — que falam sobre a eternidade, que nos apontam para o futuro e nos falam sobre a vida eterna quando estaremos vivendo com o Senhor. Mas, enquanto não chegamos à eternidade, precisamos estar preparados para ela. E, vivendo aqui na terra, precisamos nos relacionar com pessoas — na família, na igreja, no trabalho e em outras áreas da vida. Para isso, precisamos de sabedoria.

Provérbios é justamente esse livro: ele nos ensina princípios para vivermos aqui na terra. Na Bíblia encontramos verdades que nos preparam para a eternidade, mas também princípios que nos ajudam a viver uma vida abençoada e piedosa enquanto estamos aqui. O texto que vamos analisar fala exatamente sobre isso: como nos relacionarmos com aqueles que se tornaram nossos inimigos, com aqueles que nos ofenderam e nos machucaram. E tenho certeza de que essa palavra vai falar ao seu coração.

O Texto Sagrado

Provérbios 25:21-22 diz:

"Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque assim amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça, e o Senhor te recompensará."

É verdade que todos nós, nos mais diversos relacionamentos, podemos ser magoados, decepcionados e feridos — e também podemos ferir e machucar outras pessoas. A grande questão é: como nos relacionamos com aqueles que, de alguma forma, se tornaram nossos ofensores? Com aqueles que de propósito nos machucaram, nos caluniaram, falaram mal de nós ou se tornaram nossos inimigos?

A Bíblia nos ensina um princípio poderoso para que possamos vencer o mal com o bem. É interessante notar que esse mesmo texto é repetido pelo apóstolo Paulo no Novo Testamento, em Romanos 12:20 — o que mostra que esse princípio se aplica a nós, cristãos, na Nova Aliança em Jesus Cristo. Deus nos apresenta o caminho para vencermos o mal com o bem e para vencermos, em nosso coração, todo espírito de ódio, vingança e ressentimento.

O Amor Não É Apenas Sentimento — É Decisão

Precisamos entender que o amor de Deus em nosso coração precisa se manifestar em atitudes práticas e coerentes. O amor cristão não é apenas um sentimento; é muito mais do que isso — é uma decisão da vontade.

Podemos decidir amar, porque o amor não tem a ver necessariamente com sentimentos. O gostar, sim. Mas o amar, não. Amar tem a ver com fazer o bem ao alvo do nosso amor, ao objeto do nosso amor. Por isso Jesus nos ensinou a amar os nossos inimigos: porque o amor não depende de sentimentos. Você pode até não ter um sentimento positivo em relação aos seus inimigos — e certamente não tem —, mas pode amar. Porque amar tem a ver com fazer o bem, com atitudes que visam o bem do próximo, mesmo quando esse próximo é um inimigo.

E o texto sagrado nos ensina esse princípio de forma prática: se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Deus não apenas nos manda evitar o mal, no sentido negativo, mas também fazer o bem, no sentido positivo. Essa é uma atitude coerente com a nossa fé: alimentar o faminto, dar água ao sedento, vestir o nu, visitar o órfão e a viúva em suas necessidades.

Como minha esposa costuma dizer: "o amor é aquilo que o amor faz."

Precisamos ter atitudes coerentes, ainda que esse amor também possa ser expresso por uma oração — pedindo a Deus que guarde, perdoe e tenha misericórdia dos nossos inimigos. Se aquele que nos prejudicou necessitar de algo, podemos manifestar esse amor com atitudes práticas, pela graça de Deus operando em nós e pela presença do Espírito Santo. Jesus nos ensinou esse princípio tanto em Mateus 5:44 quanto em Lucas 6:27-36.

A verdadeira espiritualidade se manifesta de forma prática, quando decidimos fazer o bem até mesmo àqueles que nos fizeram mal. E ninguém consegue fazer isso sozinho, sem a graça do Senhor Jesus operando em nós. Por isso Jesus nos ensinou, em João 15:5: "Sem mim, nada podeis fazer."

Não praticamos isso apenas com força de vontade. Precisamos de Jesus. Precisamos da graça de Jesus operando em nós, do amor de Jesus fluindo através de nós, para que consigamos fazer o bem a pessoas que nos fizeram mal — orar pelos que nos perseguem, abençoar os que nos maldizem. Essas são atitudes que só conseguimos realizar pela operação da graça de Deus em Cristo Jesus, em nosso coração.

Brasas Vivas Sobre a Cabeça: O Que Isso Significa?

Quando temos atitudes de amor para com aqueles que nos fizeram mal, o texto sagrado diz que estaremos amontoando brasas vivas sobre a cabeça deles. Essa expressão significa que Deus estará trabalhando na consciência daquele que nos fez mal, para levá-lo ao arrependimento.

Isso não significa que estejamos esperando vingança — de forma alguma. Significa apenas que seremos instrumentos de Deus, e que, por meio da nossa atitude bondosa, o Espírito Santo trabalhará no coração daqueles que nos ofenderam, que nos machucaram, que nos trataram mal de alguma forma. O Espírito Santo usa essa atitude nossa para aguilhoar a consciência dessa pessoa e conduzi-la ao arrependimento.

O Exemplo de Estêvão e Saulo de Tarso

Vemos isso claramente na vida do apóstolo Paulo. Antes de ser apóstolo, quando ainda era Saulo de Tarso, ele estava presente no apedrejamento de Estêvão — a Bíblia diz que as pessoas lançaram aos pés dele as roupas de Estêvão.

E Estêvão orou, dizendo: "Senhor, não lhes imputes este pecado."

Saulo viu isso. Mesmo sendo apedrejado, mesmo morrendo injustamente, Estêvão teve uma atitude de amor para com seus ofensores — para com aqueles que eram seus assassinos — pedindo a Deus que não lhes imputasse os pecados, que os perdoasse.

Isso foi usado pelo Espírito Santo na vida de Saulo, para aguilhoar sua consciência e levá-lo ao arrependimento. E foi exatamente isso que aconteceu: quando ele ia perseguir os cristãos, teve um encontro com Jesus, o Espírito Santo trabalhou em seu coração, ele se arrependeu de seus pecados, se voltou para Jesus, foi perdoado, foi salvo e se tornou o grande apóstolo que conhecemos no Novo Testamento.

Nós também podemos ser instrumentos de Deus quando somos bondosos, quando usamos de atitudes amorosas mesmo com aqueles que nos prejudicaram. Por isso é importante que experimentemos essa graça de Deus em nosso coração. Isso não é sentimentalismo — é apenas uma atitude de amor para com aqueles que nos machucaram: dar comida a quem tem fome, dar bebida a quem tem sede, vestir quem precisa, ajudar em uma necessidade real, ou simplesmente oferecer uma oração.

Quando temos essa atitude, podemos ser instrumentos de Deus para que Ele quebre a barreira no coração dessa pessoa e a leve ao arrependimento. A nossa missão não é derrotar as pessoas, mas ganhá-las para Deus, por meio de atitudes amorosas e coerentes com a nossa fé.

A Recompensa Que Vem do Senhor

O versículo 22 nos diz que Deus vai nos recompensar — Ele honra a nossa obediência. E essa recompensa não depende da reação do nosso inimigo. Não depende de a pessoa se arrepender ou não. Independentemente da atitude dela, Deus nos recompensará.

Por quê? Porque a nossa atitude de bondade é uma semente que estamos plantando, e o próprio Deus nos fará colher a colheita dessa semente. Quem planta sementes de bondade certamente colherá, da parte de Deus, uma colheita de bondade. Deus vê aquilo que ninguém vê, e Ele recompensa quando somos fiéis e obedientes à Sua palavra.

Quando decidimos confiar na justiça de Deus, entregar em oração nas mãos do Senhor aquele que nos feriu e fazer o bem a essa pessoa, o texto sagrado garante: o Senhor nos recompensará. O próprio apóstolo Paulo, citando um texto da Antiga Aliança, escreve em Romanos 12:19: "Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor."

Precisamos crer nisso. Precisamos descansar no cuidado de Deus, sabendo que Ele nos recompensará no tempo certo por toda e qualquer atitude de bondade — inclusive com aqueles que nos machucaram e nos feriram.

Como discípulos de Jesus Cristo, precisamos decidir vencer o mal com o bem, permitindo que a graça do Senhor trabalhe em nosso coração, fazendo o bem àqueles que nos ofenderam e confiando que somente Deus, pelo Seu Espírito Santo, trabalhará na consciência de quem nos machucou. Precisamos descansar o coração e esperar a recompensa que vem somente do Senhor.

E o Evangelho de Jesus Cristo nos lembra de algo essencial: todos nós também éramos inimigos de Deus, mas, pela Sua graça, fomos reconciliados com o Pai. Se Deus fez isso por nós, Ele também pode fazer isso na vida daqueles que são nossos inimigos hoje, levando-os ao arrependimento e a se voltarem para o Senhor Jesus Cristo.

Uma Pergunta Para o Seu Coração

Existe alguém que você precisa liberar do seu coração? Talvez alguém com quem você mantém um ressentimento, um desejo de vingança, uma raiva, um ódio guardado.

Eu quero te dizer uma coisa: perdoe essa pessoa, porque esse sentimento está prejudicando você. O ressentimento e o ódio são como uma toxina espiritual — e quem mais é prejudicado é justamente quem guarda esse sentimento no coração.

Se há alguém que você precisa perdoar hoje, seja quem for, perdoe. Libere o perdão. Talvez Deus esteja chamando você para semear bondade na vida de alguém. Faça isso, porque a sua colheita virá do Senhor. Ainda que essa pessoa não reconheça, Deus reconhece — e Ele te recompensará.

Você está disposto a entregar essa causa diante do Senhor e permitir que Jesus Cristo lhe dê graça para vencer o mal com o bem? Peça ajuda ao Senhor. Reconheça que, sem Jesus, como diz João 15:5, nada podemos fazer.

Ore assim:

"Senhor, ajuda-me a perdoar esta pessoa. Ajuda-me a ser bondoso, mesmo com aqueles que fizeram mal a mim ou tentaram fazer mal a mim. Ajuda-me a dar testemunho em meio a essa circunstância, para que a Tua graça sobressaia sobre as minhas fraquezas. Ajuda-me, em nome de Jesus."

Se você fizer isso, com certeza o Senhor te recompensará.

Conclusão

Vencer o mal com o bem não é uma tarefa fácil — mas é um caminho possível, porque não caminhamos sozinhos. A graça de Jesus Cristo é suficiente para transformar o nosso coração e nos capacitar a amar até mesmo aqueles que nos feriram.

Quando escolhemos a bondade em vez da vingança, não estamos sendo ingênuos nem fracos — estamos sendo instrumentos nas mãos de Deus, permitindo que Ele trabalhe na consciência de quem nos ofendeu e, ao mesmo tempo, libertando o nosso próprio coração do peso do ressentimento.

A recompensa não está nas mãos do nosso inimigo. Está nas mãos do Senhor. E Ele é fiel para recompensar todo aquele que planta sementes de bondade, mesmo em meio à dor.

Que Deus abençoe sua vida poderosamente, em nome de Jesus.