Vencendo o Mal com o Bem: O Que Fazer Quando Alguém Se Torna Seu Inimigo
Provérbios 25:21-22
Shallom, povo lindo do Senhor!
Gostaria de compartilhar com você um texto muito precioso que está no livro de Provérbios, capítulo 25, versículos 21 e 22. É uma palavra de sabedoria para o dia de hoje.
O livro de Provérbios é um livro que trata sobre sabedoria. Eu costumo dizer que temos muitos livros na Bíblia — o Apocalipse, por exemplo, é um deles — que falam sobre a eternidade, que nos apontam para o futuro e nos falam sobre a vida eterna quando estaremos vivendo com o Senhor. Mas, enquanto não chegamos à eternidade, precisamos estar preparados para ela. E, vivendo aqui na terra, precisamos nos relacionar com pessoas — na família, na igreja, no trabalho e em outras áreas da vida. Para isso, precisamos de sabedoria.
Provérbios é justamente esse livro: ele nos ensina princípios para vivermos aqui na terra. Na Bíblia encontramos verdades que nos preparam para a eternidade, mas também princípios que nos ajudam a viver uma vida abençoada e piedosa enquanto estamos aqui. O texto que vamos analisar fala exatamente sobre isso: como nos relacionarmos com aqueles que se tornaram nossos inimigos, com aqueles que nos ofenderam e nos machucaram. E tenho certeza de que essa palavra vai falar ao seu coração.
O Texto Sagrado
Provérbios 25:21-22 diz:
"Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque assim amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça, e o Senhor te recompensará."
É verdade que todos nós, nos mais diversos relacionamentos, podemos ser magoados, decepcionados e feridos — e também podemos ferir e machucar outras pessoas. A grande questão é: como nos relacionamos com aqueles que, de alguma forma, se tornaram nossos ofensores? Com aqueles que de propósito nos machucaram, nos caluniaram, falaram mal de nós ou se tornaram nossos inimigos?
A Bíblia nos ensina um princípio poderoso para que possamos vencer o mal com o bem. É interessante notar que esse mesmo texto é repetido pelo apóstolo Paulo no Novo Testamento, em Romanos 12:20 — o que mostra que esse princípio se aplica a nós, cristãos, na Nova Aliança em Jesus Cristo. Deus nos apresenta o caminho para vencermos o mal com o bem e para vencermos, em nosso coração, todo espírito de ódio, vingança e ressentimento.
O Amor Não É Apenas Sentimento — É Decisão
Precisamos entender que o amor de Deus em nosso coração precisa se manifestar em atitudes práticas e coerentes. O amor cristão não é apenas um sentimento; é muito mais do que isso — é uma decisão da vontade.
Podemos decidir amar, porque o amor não tem a ver necessariamente com sentimentos. O gostar, sim. Mas o amar, não. Amar tem a ver com fazer o bem ao alvo do nosso amor, ao objeto do nosso amor. Por isso Jesus nos ensinou a amar os nossos inimigos: porque o amor não depende de sentimentos. Você pode até não ter um sentimento positivo em relação aos seus inimigos — e certamente não tem —, mas pode amar. Porque amar tem a ver com fazer o bem, com atitudes que visam o bem do próximo, mesmo quando esse próximo é um inimigo.
E o texto sagrado nos ensina esse princípio de forma prática: se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Deus não apenas nos manda evitar o mal, no sentido negativo, mas também fazer o bem, no sentido positivo. Essa é uma atitude coerente com a nossa fé: alimentar o faminto, dar água ao sedento, vestir o nu, visitar o órfão e a viúva em suas necessidades.
Como minha esposa costuma dizer: "o amor é aquilo que o amor faz."
Precisamos ter atitudes coerentes, ainda que esse amor também possa ser expresso por uma oração — pedindo a Deus que guarde, perdoe e tenha misericórdia dos nossos inimigos. Se aquele que nos prejudicou necessitar de algo, podemos manifestar esse amor com atitudes práticas, pela graça de Deus operando em nós e pela presença do Espírito Santo. Jesus nos ensinou esse princípio tanto em Mateus 5:44 quanto em Lucas 6:27-36.
A verdadeira espiritualidade se manifesta de forma prática, quando decidimos fazer o bem até mesmo àqueles que nos fizeram mal. E ninguém consegue fazer isso sozinho, sem a graça do Senhor Jesus operando em nós. Por isso Jesus nos ensinou, em João 15:5: "Sem mim, nada podeis fazer."
Não praticamos isso apenas com força de vontade. Precisamos de Jesus. Precisamos da graça de Jesus operando em nós, do amor de Jesus fluindo através de nós, para que consigamos fazer o bem a pessoas que nos fizeram mal — orar pelos que nos perseguem, abençoar os que nos maldizem. Essas são atitudes que só conseguimos realizar pela operação da graça de Deus em Cristo Jesus, em nosso coração.
Brasas Vivas Sobre a Cabeça: O Que Isso Significa?
Quando temos atitudes de amor para com aqueles que nos fizeram mal, o texto sagrado diz que estaremos amontoando brasas vivas sobre a cabeça deles. Essa expressão significa que Deus estará trabalhando na consciência daquele que nos fez mal, para levá-lo ao arrependimento.
Isso não significa que estejamos esperando vingança — de forma alguma. Significa apenas que seremos instrumentos de Deus, e que, por meio da nossa atitude bondosa, o Espírito Santo trabalhará no coração daqueles que nos ofenderam, que nos machucaram, que nos trataram mal de alguma forma. O Espírito Santo usa essa atitude nossa para aguilhoar a consciência dessa pessoa e conduzi-la ao arrependimento.
O Exemplo de Estêvão e Saulo de Tarso
Vemos isso claramente na vida do apóstolo Paulo. Antes de ser apóstolo, quando ainda era Saulo de Tarso, ele estava presente no apedrejamento de Estêvão — a Bíblia diz que as pessoas lançaram aos pés dele as roupas de Estêvão.
E Estêvão orou, dizendo: "Senhor, não lhes imputes este pecado."
Saulo viu isso. Mesmo sendo apedrejado, mesmo morrendo injustamente, Estêvão teve uma atitude de amor para com seus ofensores — para com aqueles que eram seus assassinos — pedindo a Deus que não lhes imputasse os pecados, que os perdoasse.
Isso foi usado pelo Espírito Santo na vida de Saulo, para aguilhoar sua consciência e levá-lo ao arrependimento. E foi exatamente isso que aconteceu: quando ele ia perseguir os cristãos, teve um encontro com Jesus, o Espírito Santo trabalhou em seu coração, ele se arrependeu de seus pecados, se voltou para Jesus, foi perdoado, foi salvo e se tornou o grande apóstolo que conhecemos no Novo Testamento.
Nós também podemos ser instrumentos de Deus quando somos bondosos, quando usamos de atitudes amorosas mesmo com aqueles que nos prejudicaram. Por isso é importante que experimentemos essa graça de Deus em nosso coração. Isso não é sentimentalismo — é apenas uma atitude de amor para com aqueles que nos machucaram: dar comida a quem tem fome, dar bebida a quem tem sede, vestir quem precisa, ajudar em uma necessidade real, ou simplesmente oferecer uma oração.
Quando temos essa atitude, podemos ser instrumentos de Deus para que Ele quebre a barreira no coração dessa pessoa e a leve ao arrependimento. A nossa missão não é derrotar as pessoas, mas ganhá-las para Deus, por meio de atitudes amorosas e coerentes com a nossa fé.
A Recompensa Que Vem do Senhor
O versículo 22 nos diz que Deus vai nos recompensar — Ele honra a nossa obediência. E essa recompensa não depende da reação do nosso inimigo. Não depende de a pessoa se arrepender ou não. Independentemente da atitude dela, Deus nos recompensará.
Por quê? Porque a nossa atitude de bondade é uma semente que estamos plantando, e o próprio Deus nos fará colher a colheita dessa semente. Quem planta sementes de bondade certamente colherá, da parte de Deus, uma colheita de bondade. Deus vê aquilo que ninguém vê, e Ele recompensa quando somos fiéis e obedientes à Sua palavra.
Quando decidimos confiar na justiça de Deus, entregar em oração nas mãos do Senhor aquele que nos feriu e fazer o bem a essa pessoa, o texto sagrado garante: o Senhor nos recompensará. O próprio apóstolo Paulo, citando um texto da Antiga Aliança, escreve em Romanos 12:19: "Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor."
Precisamos crer nisso. Precisamos descansar no cuidado de Deus, sabendo que Ele nos recompensará no tempo certo por toda e qualquer atitude de bondade — inclusive com aqueles que nos machucaram e nos feriram.
Como discípulos de Jesus Cristo, precisamos decidir vencer o mal com o bem, permitindo que a graça do Senhor trabalhe em nosso coração, fazendo o bem àqueles que nos ofenderam e confiando que somente Deus, pelo Seu Espírito Santo, trabalhará na consciência de quem nos machucou. Precisamos descansar o coração e esperar a recompensa que vem somente do Senhor.
E o Evangelho de Jesus Cristo nos lembra de algo essencial: todos nós também éramos inimigos de Deus, mas, pela Sua graça, fomos reconciliados com o Pai. Se Deus fez isso por nós, Ele também pode fazer isso na vida daqueles que são nossos inimigos hoje, levando-os ao arrependimento e a se voltarem para o Senhor Jesus Cristo.
Uma Pergunta Para o Seu Coração
Existe alguém que você precisa liberar do seu coração? Talvez alguém com quem você mantém um ressentimento, um desejo de vingança, uma raiva, um ódio guardado.
Eu quero te dizer uma coisa: perdoe essa pessoa, porque esse sentimento está prejudicando você. O ressentimento e o ódio são como uma toxina espiritual — e quem mais é prejudicado é justamente quem guarda esse sentimento no coração.
Se há alguém que você precisa perdoar hoje, seja quem for, perdoe. Libere o perdão. Talvez Deus esteja chamando você para semear bondade na vida de alguém. Faça isso, porque a sua colheita virá do Senhor. Ainda que essa pessoa não reconheça, Deus reconhece — e Ele te recompensará.
Você está disposto a entregar essa causa diante do Senhor e permitir que Jesus Cristo lhe dê graça para vencer o mal com o bem? Peça ajuda ao Senhor. Reconheça que, sem Jesus, como diz João 15:5, nada podemos fazer.
Ore assim:
"Senhor, ajuda-me a perdoar esta pessoa. Ajuda-me a ser bondoso, mesmo com aqueles que fizeram mal a mim ou tentaram fazer mal a mim. Ajuda-me a dar testemunho em meio a essa circunstância, para que a Tua graça sobressaia sobre as minhas fraquezas. Ajuda-me, em nome de Jesus."
Se você fizer isso, com certeza o Senhor te recompensará.
Conclusão
Vencer o mal com o bem não é uma tarefa fácil — mas é um caminho possível, porque não caminhamos sozinhos. A graça de Jesus Cristo é suficiente para transformar o nosso coração e nos capacitar a amar até mesmo aqueles que nos feriram.
Quando escolhemos a bondade em vez da vingança, não estamos sendo ingênuos nem fracos — estamos sendo instrumentos nas mãos de Deus, permitindo que Ele trabalhe na consciência de quem nos ofendeu e, ao mesmo tempo, libertando o nosso próprio coração do peso do ressentimento.
A recompensa não está nas mãos do nosso inimigo. Está nas mãos do Senhor. E Ele é fiel para recompensar todo aquele que planta sementes de bondade, mesmo em meio à dor.
Que Deus abençoe sua vida poderosamente, em nome de Jesus.
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